quinta-feira, 6 de maio de 2010

A Música na Pré-História e Antigas civilizações


A Música na Pré-História e Antigas civilizações


A Música na Pré-História

A história da música remonta aos tempos da Pré-história e apenas podemos fazer conjecturas sobre a forma como começou. Ainda antes de o homem começar a fazer instrumentos, é provável que fizesse música através de uma mistura de gritos, de bater com os pés, de bater palmas e de bater com objetos disponíveis na natureza.

A música nasceu com a natureza, ao considerarmos que seus elementos formais, som e ritmo, fazem parte do universo e, particularmente da estrutura humana. O homem pré-histórico descobriu os sons que o cercavam no ambiente e aprendeu a distinguir os timbres característicos da canção das ondas se quebrando na praia, da tempestade se aproximando e das vozes dos vários animais selvagens. E encantou-se com se próprio instrumento musical - a voz. Mas a música pré-histórica não se configurou como arte: teria sido uma expansão impulsiva e instintiva do movimento sonoro ou apenas um expressivo meio de comunicação, sempre ligada às palavras, aos ritos e a dança.


Instrumentos musicais encontrados da Pré-História


Cientistas acreditam ter encontrado o instrumento musical mais antigo do mundo em uma caverna no sudoeste da Alemanha. A menos de um metro do local onde encontraram o instrumento feito à mão foi achado também o mais antigo trabalho de escultura feito por um humano. O fragmento de flauta que foi encontrado, assim como a estatueta de marfim, datam de mais de 35 mil anos atrás.

As descobertas sugerem que os homens e mulheres das cavernas podiam fazer música – e que isso pode ter sido um modo de eles prevalecerem sobre os nossos “primos” neandertais. Os humanos modernos levaram a melhor em relação aos neandertais na Europa de 20 mil a 35 mil anos atrás, e os motivos pelos quais eles desapareceram provavelmente foram a cultura, o clima e a dieta. Nicholas Conard, arqueólogo da Universidade de Tubingen, na Alemanha, e sua equipe acreditam que a tradição musical adotada pelo Homo sapiens pode ter contribuído para unir comunidades.

“Humanos modernos parecem ter tido redes sociais maiores”, afirma Conard. Isso pode, segundo ele, ter ajudado a facilitar a expansão demográfica e territorial dos humanos modernos, em relação a outras populações de neandertais, que eram mais isolados demograficamente, além de mais conservadores. Vários instrumentos musicais apareceram na mesma área, fortalecendo a ideia que os humanos paleolíticos desenvolveram uma cultura bastante rica, de acordo com os pesquisadores.


Quatro flautas encontradas


No total, foram encontrados os fragmentos de quatro flautas nas escavações em uma área do sudoeste da Alemanha conhecida como Swabia. Três instrumentos foram feitos em marfim de mamute, mas a maior descoberta foi uma flauta quase inteira feita do osso de um urubu. As flautas foram descobertas em setembro, juntamente com a chamada Vênus pré histórica – escultura de uma forma feminina, considerada a mais antiga já encontrada.

Quando montada, a flauta de abutre chega quase 22 centímetros e tem cinco buracos. O osso tem marcas de linhas em volta dos buracos, o que sugere que criador da flauta estava calibrando o local dos buracos para produzir o melhor som possível. Conard lembra que até agora fragmentos de oito flautas foram encontradas na região De Swabian, e datam de 30 ou 40 mil anos atrás, e os pesquisadores afirmam que não há provas convincentes que existam instrumentos mais antigos já encontrados.


Outros pesquisadores encontraram um fragmento de osso de urso (acima) que tem aproximadamente 50 mil anos e parece ter buracos, como em uma flauta – mas ainda há uma controvérsia sobre a origem dos buracos. Enquanto os pesquisadores que fizeram a descoberta defendem que elas foram feitas por humanos, outros afirmam que elas poderiam ter sido talhadas por animais que morderam o osso. Conard afirma que as conclusões quanto às flautas encontradas na caverna são muito mais corretas: “Estamos lidando com itens que têm todo tipo de indicações de cortes com instrumentos e polimentos”, defende o arqueologista.

A pesquisa também tem o apoio da descoberta da Vênus, por exemplo. Colocadas juntas, as evidências apontam para o nascer de uma cultura há 35 mil anos. Conard explica: “Não temos certeza de quanto tempo elas têm de diferença, mas seria como se seu avô tocasse a flauta, e a sua bisneta fizesse a Vênus, mas ainda assim é o mesmo período geral da história”. [MSNBC]

Ouça a música mais antiga do mundo com 35.000 anos. Clique aqui a MP3 para download e ouça.

No início dos anos 1950, arqueólogos desenterraram diversas tábuas de argila do século 14 aC. Encontradas na antiga cidade síria de Ugarit, estas tábuas continham sinais cuneiformes do idioma Hurrita – pertencente ao povo Hurrita, que viveu na antiga Mesopotâmia. O texto encontrado acabou por ser a música mais antiga já descoberta, um hino de 3.400 anos de idade. Anne Draffkorn Kilmer, professor de Assiriologia na Universidade da Califórnia, nos EUA, produziu a interpretação que você vê na imagem em 1972. Desde as suas publicações iniciais na década de 60 sobre o achado, outros estudiosos publicaram suas próprias versões.

Segundo Richard Fink, em um artigo de 1988 na revista Archeologia Musicalis, a descoberta confirma a teoria de que “a escala diatônica de 7 notas, bem como a harmonia, existiam há 3400 anos”. Isso vai contra os pontos de vista da maioria dos musicólogos que acreditam que a harmonia no mundo antigo era praticamente inexistente (ou mesmo impossível) e que a escala só surgiu com os gregos, 2000 anos atrás. Richard Crocker, colega de Kilmer, afirma que a descoberta “revolucionou todo o conceito da origem da música ocidental”.

Debates acadêmicos de lado, como a música mais antiga do mundo soa? Ouça uma versão abaixo e descubra por si mesmo. Sem dúvida, o teclado midi não era o instrumento que os sumérios escolheriam para tocar a canção, mas é suficiente para nos dar uma ideia de como seria essa estranha composição – embora o ritmo seja apenas um palpite.[Open Culture, Richard Dawkins]

The Oldest Song in the World
A canção mais antiga do mundo. Veja o vídeo:


Você pode conferir a reprodução de uma parte de uma música grega antiga no player abaixo. O que você acha, as canções daquela época têm alguma chance de competir com Justin Bieber, Lady Gaga e etc? [BBC News]

Escute uma música antiga de 2.500 anos de idade. Clique aqui a MP3 para download e ouça.


Música nas Antigas Civilizações


O mistério continuou a envolver a música da Antiguidade, pela ausência do próprio elemento sonoro, que se desfez no tempo e, ainda, pela inexistência de uma notação musical clara e documentação suficiente. No entanto, sabemos que nas antigas civilizações já havia o cultivo da música como arte em si mesma, embora ligada à religião e à política. Fazendo estudos nos instrumentos encontrados dessa época notou-se o aperfeiçoamento na construção dos instrumentos, com valorização do timbre.


Mesopotâmia


Desde início do terceiro milênio antes de Cristo, no Império Agrícola da Mesopotâmia, situado na região entre os rios Tigre e Eufrates, viviam respectivamente sumérios, assírios e babilônios. Nas ruínas das cidades desses povos, foram descobertos harpas de 3 a 20 cordas dos sumérios e cítaras de origem assíria. Na Assíria e na Babilônia, a música tinha importante significação social e expressiva atuação no culto religioso. Fortaleceu-se tal conclusão, quando C. Saches decifrou um documento musical de Assur, escrito por volta de 800 a.C., em símbolos cuneiformes: era um acompanhamento de harpa, onde se revela uma forma de escrita a duas e três vozes, com base num sistema pentatônico. O legado da cultura mesopotâmica passou aos Persas. Segundo o testemunho de Heródoto, o célebre historiador grego, eles chegaram a abolir a música do culto, sem deixarem de apreciar, no entanto, os conjuntos vocais e instrumentais, como é possível constatar nos documentos iconográficos.


Egito


A arte egípcia, com características muito próprias, revela inspiração e finalidade religiosa. A música no Egito era praticada em todos os momentos da vida social. O povo tinha seus cantos tradicionais, religiosos - principalmente através de transes místicos para a cura de doenças do corpo físico, do mental, do emocional e do espiritual -, profanos, guerreiros e de trabalho. Os instrumentos de corda, harpa e cítara eram artisticamente elaborados. Os egípcios tinham flautas simples e duplas e instrumento típicos de percussão, como crótalo e sistros e principalmente os tambores. No século II a.C., na Alexandria, Ctesíbio inventou o órgão hidráulico, que funcionava, em parte, mergulhado na água. A escala egípcia era diatônica, com tons e semitons, conforme se pode deduzir pelas flautas encontradas. A harpa, como instrumento nacional, foi elaborada nas mais luxuosas e elegantes formas. A arte egípcia, através de seus instrumento musicais e papiros com diversas anotações, atingiu outras civilizações antigas, como a Cretense, a Grega e a Romana.


Grécia


Encontramos a gênese da arte grega na civilização- cretense, cujos vestígios se revelaram em ruínas de cidades como Tirinto, Micenas e Cnossos. Ela é a glorificação da natureza e da vida, expressando um anseio constante pela perfeição, ritmos e harmonia, o apreço pelos valores espirituais e o culto da beleza ideal. A música, a poesia e a dança, unidas por um elemento comum - o ritmo- , eram praticados de modo integrado. Os poemas eram recitados ao som de acompanhamento musical. A música grega se baseava em oito escalas diatônicas descendentes- os modos gregos -, cada um com um significado ético e psicológico. Os instrumentos nacionais eram a cítara e a lira. O instrumento de sopro mais usado era o aulos, de sonoridade sensual, muito usada nas festas dedicadas ao Deus Dionísio, mais tarde chamado de Baco, pelos romanos. A teoria musical grega se fundamentava na ética e na matemática. Pitágoras estabeleceu proporções numéricas para cada intervalo musical. A notação musical era alfabética, mas insuficiente: usavam letras em diversas posições para representar os sons. Os gregos relacionavam intimamente música, psicologia, moral e educação. No âmbito da ética musical, dentre as posturas mais interessantes, destacam-se:

  • a de Pratinas, rígida e conservadora, extremamente reacionária, condenava o instrumentalismo.
  • a de Pídaro, mais positiva, expressa uma sincera crença no poder da influência musical no decorrer do processo educativo.
  • A de Platão, representante máximo da filosofia musical grega, apoiava-se na afirmação da essência psicológica da música. Segundo esse filósofo, a música poderia exercer sobre o homem poder maléfico ou benéfico, por imitar a harmonia das esferas celestes, da alma e das ações. Daí, a necessidade de se colocar a música sob a administração e a vigilância do Estado, sempre a serviço da edificação espiritual humana, voltada para o bem da polis, almejada como cidade justa.
  • A de Aristóteles, que destaca o papel da poesia, da música e do teatro na purgação das paixões (cartase). Finalizando, para ressaltar a importância da música na Grécia, basta citar um trecho da A República, de Platão, que comenta estes versos de Homero, na Odisseia: os homens apreciam mais os cânticos mais novos. O referido trecho, traduzido, é o seguinte: "... pois é de temer que a adoção de um novo gênero musical ponha tudo em perigo. Nunca, com efeito, se a assesta um golpe contra as formas da música, sem abalar as maiores leis da cidade, como afirma Damon, e eu creio de bom grado." (PLATÃO. A República, 424b-2, p.203.).


Roma


No período helenístico, a música grega desviara-se para a busca e o culto da virtuosidade, o que representou uma decadência do espírito nacional que a orientara na época áurea. Eram interessantes os diversos instrumentos de sopro utilizados nos exércitos, com variadas finalidades. A mais curiosa figura conhecida na arte musical romana, antes da era cristã, foi o Imperador Nero, compositor e poeta, que se acompanhava à lira, tendo até instituído a ''claque'', cujos aplausos interesseiros estimulavam sua inspiração e acalentavam sua vaidade.


Nestes dois vídeos abaixo, você pode ter uma visão e audição mais ampla da Pré-História e na sequência a visão e audição do Renascimento:


História da Música 1ª aula - pré história
Por: Frederico Zimmermann Aranha




História da Música 2ª aula Renascimento
Por: Frederico Zimmermann Aranha




Fontes:
Passei Web
Hype Science
História da Música 
Título original: The Usborne Story of Music
Edições 70


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