sábado, 23 de junho de 2012

002-14 Pop Norte-Americano 02


"Bue Moon",


 "Summertime",


"Ol 'Man River",


"Smoke Gets In Your Eyes",


"Deep Purple" (interpretação de John Gary, música que originou o nome da banda de mesmo nome.)


e "True Love"


- só para lembrar algumas canções que fizeram sucesso em regravações de roqueiros tão diversos quanto ilustres, como Elvis Presley, Janis Joplin, Rod Stewart, os Platters e George Harrison. Afinal, o que é bom não tem época. (E "Deep Purple" acabou dando nome àquele famoso grupo inglês, por ser a música predileta da avó do guitarrista.)




Outros roqueiros não se contentaram com regravações e revelaram-se grandes compositores, procurando (e muitas vezes conseguindo) captar a inventividade lírica e melódica dos mestres: Carole King (nasc. 1942), Neil Sedaka (nasc. 1939) e duplas como Doc Pomus/mort Shuman, Jerry Leiber/Mike Stoller, Barry Mann/Cynthia Well. Por sua vez, esta geração de compositores dos anos 50 e 60 foi a grande motivação confessa para formação da dupla John Lennon/Paul McCartney, a mais bem-sucedida dupla de compositores de todos os tempos. Não esquecendo outros grandes compositores de pop e/ou rock surgidos nos anos 60, como a trinca Brian Holland/Lamont Dozier/Eddie Holland (autores de boa parte dos clássicos da Motown), Randy Newman, Bob Dylan, Todd Rundgren, Paul Simon e os ingleses Mitch Murray, Ray Davies (líder dos Kinks), David Bowie, Barry Gibb (um dos Bee Gees).



Interessante é que todas as canções pop pré-rock em compasso 2/2, 2/4 ou 4/4 que não fossem blues ou ritmos estrangeiros (como rumba ou tango) atendiam por um nome só: fox-trot. De modo que quando Chuck Berry cantou em "Roll Over Beethoven" de 1956" eles estão rocando em 2/2... curta este r and b",
 
 
se fosse três anos mais cedo ele estaria se referindo ao fox-trot. Aliás, até por volta de 1955 os discos costumavam trazer no selo a indicação do ritmo das obras gravadas, e - você sabia? - "Rock Around The Clock" com Bill Haley saiu com a indicação "fox-trot", nos próprios EUA (e inclusive no Brasil!).


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Se você desejar, poderá ver as 30 músicas Top da Billboard. São as canções mais populares e imortais. Aqui no blog tem (5) cinco posts com (6) seis filmes cada uma. Aproveite e curta estas canções!


002-14 Pop Norte-Americano 01


Santo de casa às vezes faz milagre; a música comercial dos EUA é mais antiga do que parece, e, apesar de sempre malhada pelos roqueiros mais radicais, estes não tiveram como escapar de sua influência ou pelo menos sua presença. Basta dizer que a Billboard, a mais prestigiada revista de parada de sucessos do mundo, foi fundada em 1894, neste ano de 2012 já completou 119 anos de existência. "Billboard" significa literalmente "quadro de avisos", nome correto para "out door", e no início esta publicação era "devotada aos interesses de anunciantes, impressores de cartazes, colocadores de cartazes, agentes de publicidade e secretários de feiras". É verdade que a primeira parada de discos mais vendidos só foi publicada em julho de 1940 (qual o primeiro lugar? "I'll Never Smile Again" com a big band de Tommy Dorsey, com Frank Sinatra no vocal),


mas o simples fato de haver uma publicação regular "devotada aos interesses de anunciantes" já indica a existência de uma indústria cultural, e bastante próspera. Já existia a gravação sonora, desde 1877, e o disco, inventado dez anos depois, começou logo de saída a tomar o lugar dos cilindros primitivos. Só em 1904, com o sucesso dos primeiros discos do tenor Enrico Caruso, o gramofone deixou de ser encarado como mero brinquedo ou "secretária" para se tornar um dos chamdos pilares da indústria do entretenimento; mas muito antes disso já havia shows e vida noturna à vontade - afinal, havia até uma publicação especializada em cartazes! Os norte-americanos mostram sua vocação para o entretenimento desde cedo - e também desde cedo admitiam influência da cultura negra, adaptada para consumo branco desde os "minstrel shows" ("shows de menestréis") do século XVIII.




Um jornal novaiorquino de 1767 faz referência a uma "dança de negros a caráter", na verdade atores brancos pretejando o rosto com cortiça queimada (exatamente aquilo que Michael Jackson vai acabar fazendo). O que não impedia a participação ocasional de negros de verdade - mas até eles eram obrigados a pretejar o rosto! De qualquer modo, a música dos "shows de menestréis" era quase sempre negra, embora diluída e amaciada pelos atores, quase sempre brancos - e, no fim, esta imitação aguada da música negra acabou sendo imitada pelos próprios negros. De qualquer modo, os shows de menestréis foram responsáveis pela primeira injeção por atacado de cultura negra no "mainstream" cultural norte-americano. E no século XIX a "minstrelsy" tornou-se praticamente bi-racial (embora atores brancos fossem muito mais bem-tratados), com o acréscimo das primeiras canções brancas legitimamente norte-americanas, de Stephen Foster
 
 
e outros (incluindo "I Wish I Was In Dixie's Land" de Daniel Emmett, lançada em 1859 com tanto sucesso que chegou simplesmente a dar nome à região Sul dos EUA e, por tabela, ao "jazz de Dixieland" além de ser regravada até por Elvis).
 
 
Os shows de menestréis sobreviveram até o início dos anos 20 deste século, gradualmente substituídos desde meados do século XIX pelo "vaudeville", mais variados, incluindo não somente música, mas também animais amestrados, peças de teatro e até lutas de box, o equivalente norte-americano do "music-hall" inglês. A princípio, o vaudeville era ambulante, mas lá pelos anos 1880 cada cidade dos EUA já tinha seu teatro de vaudeville. Quase tudo que é comediante americano, como os Três Patetas ou George Burns, se revelou no vaudeville, instituição que, de certa forma, se prolongou até hoje - inclusive, o programa de TV de Ed Sullivan era pouco mais que vaudeville televisionado
 

 
- sem falar que, na sua primeira excursão pelos EUA, numa feira na California, os Rolling Stones tiveram o desprazer de ver um macaco amestrado ser chamado para dar um bis - mas ele não.
 
Al Jolson (1886/1950) foi o último cantor de sucesso a se apresentar de cara pretejada ("blackfaced") e,
 
 
ao mesmo tempo, um dos primeiros idosos de massa, usando fórmulas de sucesso até o bagaço e se promovendo em todas as mídias que existissem - cinema, rádio, disco, televisão, jornais, revistas. Entre estes grandes ídolos da música propular pré-rock ("pop", lembremos, é abreviatura de "popular", mas no sentido mais comercial, com discos, filmes e outros produtos relativos à venda) temos Bing Crosby (1903/1977), Frank Sinatra (nasc. 1915) talvez o primeiro cantor a usar o microfone como instrumento, não como mero acessório de amplificação de voz), Perry Como (nasc. 1912), Dean Martin (nasc. 1917), Johnny Ray (1927/1990, um dos primeiros a fazer sucesso por atrativos não vocais, costumando cantar, veja só, com um aparelho de surdez no ouvido), Mario Lanza (1921/1959) e Rudy Vallee (1901/1986) - consta que Vallee se empolgou sobremaneira com a reação entusiasmada das platéias brancas de 1930 às "blue notes" entoadas por uma orquestra em que cantou. E talvez tenha sido Vallee o primeiro ídolo pop, ainda na era pré-microfone, no início dos anos 20: "Nunca tive muita voz", admitiu Vallee, "fiz sucesso porque fui o primeiro cantor articulado - as pessoas podiam entender a letra."


Por sinal, ontem como hoje, os cantores de mais sucesso costumam ser os que melhor enunciam a letra e cantam mais bonitinho, mesmo não tendo muita voz. A isto se chama "crooning" - cantar canções suaves com voz suave (daí o cantor de um grupo de baile se chamar "crooner", ao contrário do "vocalista" de grupos de música mais agressiva). Dificilmente algum cantor resiste à tentação de aderir alguma vez ao "crooning" - seja Elvis com "Love Me Tender", os Beatles com "Yesterday", os Stones com "As Tears Go By" (em português e italiano!) ou os Guns'n'Roses com "Patience". O grande público norte-americano só aceita cantores inquietos, que não fiquem parados cantando, quando eles aderem de vez à pantomima ou ao "novelty" ("novelty" é qualquer música ou gravação com alguma coisa diferente que chame a atenção, como por exemplo a microfonia no início de "I Feel Fine" dos Beatles, aquele apito descendente em "Ring My Bell", sucesso disco de Anita Ward, ou o sustain da guitarra de "Sweet Child O'Mine" do Guns'n'Roses, sem falar na música francamente humorística dos maestros Irving Aaronson (1895/1963) e Spike Jones (1911/1965), antecessores de Frank Zappa e outros bizarros). E não é à toa que a Kiss, Elton John, Alice Cooper e o Emerson Lake and Palmer, com seus truques de palco que incluíam pianos levitando, esfaqueamento de alto-falantes e contrabaixista cuspindo fogo, sejam citados como os que trouxeram o rock de volta ao vaudeville, atualizando eletronicamente as técnicas de palco do século passado.


O qual, aliás, ainda não passou. Foi dito que estamos vivendo na "era da reciclagem". Os Bee Gees já cantavam em 1967 que "quero comprar uma máquina do tempo/ir pra virada do século/Tudo está acontecendo na virada do século". E em pleno 1993, perto de mais uma virada de século, a cantora Bjork, fazendo sucesso após sair do grupo The Sugarcubes, se espanta com a Inglaterra de 1994: "Tendo vindo da Islândia e tentando agora entrar no clima inglês, descubro todo mundo na Inglaterra viciado na era vitoriana. É como se o povo inglês se envergonhasse da Inglaterra de hoje. Eles estão chateados por não ser 1901, e todos os filmes que eles fazem são sobre essa época e há um monte de imagens da virada do século nos vídeos pop."


Enfim, como já se disse há três caminhos para estar sempre em dia com a moda: você pode ir a Paris, a Milão ou... ao guarda-roupa de seus avós.


E por falar em avós, outro bom exemplo que o rock and roll herdou do pop norte-americano que o precedeu foi a linhagem de grandes compositores (por sinal, quase todos judeus), que quase sempre produziam músicas para filmes ou musicais da Broadway. Estes heróis incluem Richard Rodger (1902/1979), que trabalhou com letristas como Lorenz Hart (1895/1943) e Oscar Hammerstein II (1895/1960); Jerome Kern (1885/1945), que musicou letras do citado Hammerstein e outros; os irmãos George Gershwin (1898/1937) e ira Gershwin (1896/1985); Mitchell Parish (1902/1993); Hoagy Carmichael (1899/1981); além de dois que trabalharam quase sempre sozinhos, Irving Berlin (1888/1989) e Cole Porter (1891/1964). Entre os clássicos do pop criados por estes compositores, podemos citar "Stardust",
 

 

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terça-feira, 12 de junho de 2012

002-13 Reino Unido 02


É impossível superestimar a influência que ingleses sofreram do skiffle americano (como já dissemos) e sofrem até hoje do music-hall, ou seja, o circuito inglês de barzinhos e casa noturnas. Pode-se resumir o espírito do music-hall em duas frases, válidas também para o rock. Primeiro, o pesquisador inglês Peter Gammond em 1977: "O verdadeiro espírito dos 'halls' é o otimismo, uma crença em que sempre há algo do que se rir, por mais desanimador que esteja o momento." A outra vem de um catálogo da Crown and Anchor Tavern, de 1794: "Wespend the social night/ Mixing profit with delight."

Enquanto isso, seus vizinhos irlandeses também cumprem seu papel, não só como alvo de piadas dos ingleses (tal como brazucas fazem com os lusos). Uma delas vem a nosso caso: não há mais irlandeses na Irlanda, todos estão fora dela cantando sobre ela. Um dos primeiros ilustres é Victor Herbert (1859/1924), radicado nos EUA e autor de vários hits como "A Kiss In The Dark",


"Indian Summer" (veja o vídeo com "The Doors")


 e "Ah! Sweet Mystery of Life" (com Jeanette MacDonald - Nelson Eddy)


(além de uma opereta sua de 1903, Babes In Toyland, ter virado filme do Gordo e do Magro e nome de banda grunge dos 1990). (com Bruise Violet, uma banda muito louca, composta apenas por mulheres)


 Além de artistas de repercussão limitada à Grã-Bretanha, como o compositor e humorista Sir Harry Lauder (1870/1950)



 e grupo folk The Dubliners (ativo dos anos 60 até hoje, sempre avesso a modernices e ao sucesso fácil ajudando a preservar o folclore dos celtas, povo indo-germânico radicado na Grã-Bretanha desde antes de Cristo),


 temos ídolos irlandeses do rock de sucesso mundial, como Van Morrison (nasc. 1945)


 e os grupos Thin Lizzy (anos 70), U2 (anos 80) e Therapy? (anos 90). Sem falar nos quatro Beatles, todos descendentes de irlandeses; John e, ocasionalmente, Paul dedicaram-se a defender a Irlanda nas eternas turras com a Inglaterra que costumavam resultar em batalhas civis, já que lá o povo não leva desaforo para casa. (abaixo um dos primeiros concertos dos Beatles.)


(Veja abaixo o último encontro de gravação entre os Beatles. Foi numa cobertura de um sobrado em Londres.)



Não esqueçamos de mencionar o Canadá, vizinho dos EUA e pertencente à Comunidade Britânica de Nações, e que proveu a história do rock and roll, quase desde o começo, com nativos de sucesso como Paul Anka, Neil Young, Joni Mitchell e grupos como The Guess Who, Bachman-Turner Overdrive e Rush.

No próximo post você verá Pop Norte Americana...


 

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002-13 Reino Unido 01


Descobertos e colonizados pela velha Inglaterra, os EUA não poderiam deixar de ser influenciados por sua cultura, mesmo depois de independentes e com identidade e cultura próprias.

No início do século XX, terminada a era vitoriana, a Inglaterra era um país começando a descansar de sua antiga atividade e missão na vida de conquistar o mundo inteiro, porém sempre mantendo a fama de povo excênctrico, fleumático e ordeiro.

Afinal, já diz o provérbio, bastam dois ingleses para formarem uma fila. um paradoxo interessante é ser a inglaterra um dos países que mais insistem em manter a distinção de classes sociais, mas nada impedir um cidadão inglês esforçado (ou não) de passar de uma classe social para outra. E, ao contrário dos jovens e moleques norte-americanos, a Inglaterra tem uma cultura milenar, além de ser democrática o bastante para que essa cultura possa fluir por todas as classes sociais. Músicos populares ingleses geralmente acabam tentados a "dignificar" sua obra, enquanto os eruditos não costumam se opor a autorizar ou mesmo fazer adaptações mais acessíveis de suas composições (além de buscarem inspiração na música popular). E nada impede que uma parte mostre seu "humour" inglês e parodie impiedosamente a outra, apesar da fama de nação mais polida do universo, sempre dizendo "sorry" e "oh-dear".

Mais para a metade do século XX, a inglaterra ainda era a campeã da inovação (inclusive, os grandes musicais norte-americanos vinham de Londres até cerca de 1920, quando compositores ianques como George M. Cohan e Cole Porter aprenderam a técnica), mas economicamente, o país era apenas o "50º Estado norte-americano". Combalida pelas duas guerras mundiais - como, aliás, quase toda a Europa -, a Inglaterra acabou se beneficiando com o Plano Marshall americano de ajuda financeira. E, em função dessa debilidade econômica, o mundo só poderia vir a saber de suas inovações musicais se filtradas e divulgadas através dos poderosos EUA - o que, aliás, acontece até hoje.

Mas, artisticamente, os britânicos continuavam imbatíveis.

Muitas das canções de maior sucesso na primeira metade século eram de compositores ingleses, como "These Foolish Things",


"If I Had You"  (1929) Rudy Vallee,


 "Roses Of Picardy".


Não é por só disporem de uma única emissora de rádio e TV, ou por terem que esperar até 1952 para terem sua parada de sucessos, que os ingleses deixariam de influenciar os norte-americanos, ainda que sutilmente. Além dos ídolos de apelo exclusivamente doméstico, como o cantor e humorista George Formby (1904/1961) ("Our Sgt. Major" on his uke-banjo),


havia aqueles que conseguiam acontecer, ainda que pouco, nos EUA, como a cantora Gracie Fields (1898/1979), cujo hit "Sally" foi regravado por Paul McCartney em 1991,


e que emplacou "Now Is The Hour" nos primeiros lugares ianques em 1948,


e Vera Lynn (nasc. 1919), que chegou a cantar para animar as tropas durante a II Guerra e a ser a primeira cantora inglesa a chegar ao primeiro lugar nos EUA (com "Auf Wiedersahn, Sweetheart" em 1952)


 - mas "We'll Meet Again", um de seus grandes sucessos nos EUA e Inglaterra,


chegou a ser regravada já nos anos 60 pelos Byrds



 e Turtles, como uma homenagem meio gozativa à geração anterior.


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sábado, 28 de abril de 2012

002-12 Rhythm e Blues


É tão óbvio que a gente nem percebe: rhythm and blues é, numa palavra, o blues com a marcação do ritmo mais acentuada, tornando-o mais dançante. Para alguns, os spirituals do século XIX já eram o início do rhythm and blues (que daqui em diante abreviamos para r and b). De qualquer modo, o r and b só se firmou como tal nos anos 30, quando o blues finalmente se aclimatou na cidade grande, com o impulso de big bands como a de Duke Ellington e Count Basie. E, pelo que sabemos, o rótulo r and b, lançado pela Billboard em 1949, foi cortesia de seu crítico Jerry Wexler, mais tarde grande produtor de discos do gênero. Alguns dos primeiros grandes expoentes do r and b são Louis Jordan (1908/1975) - de quem Little Richard "tomou emprestada" a autoria de "Keep a-Knockin", -

 


 Bill Dogget (nasc.1916), Elmore James (1918/1963), Willie Dixon (1915/1992), Howlin' Wolf (1910/1976), Muddy Waters (1915/1983), Fats Domino (nasc. 1928), John Lee Hooker (nasc. 1917) e Big Joe Turner (1911/1985). Foi ouvindo Joe Turner (por sugestão do lojista de discos Leo Mintz)


 que o DJ Alan Freed se empolgou com o r and b a ponto de se decidir a trazê-lo para o grande público branco e até mudar-lhe o nome para rock and roll. Para Alan Freed, fazer sucesso com o r and b não foi tarefa das mais árduas, dado o apelo do r and b e já haver um mercado latente para ele entre os brancos - afinal, o cantor country Hank Williams, por exemplo, emplacara em 1950 seu hit "Moanin' The Blues"


(nada a ver, além do título e do gênero, com "Moanin' The Blues", composta e gravada por Victoria Spivey em 1929 -


por sinal, o solo de guitarra da gravação de Hank é parecido com o de "That's Alright Mama", primeira gravação oficial de Elvis, de 1954).

Enfim, o  r and b continua firme e influente até hoje, com B.B.King, Ruth Brown, Etta James, Johnny Otis, Allen Toussaint e outros ilustres. Pena que o espaço é curto, mas vamos lembrar somente mais dois nomes importantes do r and b - e um lembrará o outro. Ahmet Ertegun, compositor e fundador da gravadora Atlantic em 1947 (que revelou artistas os mais diversos como The Coasters, Led Zeppelin, Buffalo Springfield, Yes e Chic), disse a respeito de um compositor e diretor musical de muitos dos discos da Atlantic nos anos 50: "Jesse Stone fez mais para desenvolver o som básico do rock and roll que qualquer outra pessoa, embora você ouça falar muito em Bill Haley ou Elvis Presley. "De fato, Haley e Presley foram apenas dois artistas a fazerem "covers" de composições de Jesse ("Shake, Rattle And Roll" e "Down In The Alley", respectivamente), sem falarem "Money Honey", também gravada por Elvis


 e a inspiração mais que direta para "Be-Bop-A-Lula" de Gene Vincent.




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sábado, 21 de abril de 2012

002-11 Country 04


E uma das origens mais diretas do rock é justamente o que se rotulou rockabilly ("rock" + "hillbilly", caipira), e definido por um de seus criadores, Carl Perkins (nasc. 1932) como "blues with a country beat" - praticamente um sinônimo de nosso próximo assunto, rhythm and blues. E nos anos 30 já tinhamos o "Western Swing" texano, country influenciado pelas big bands de jazz, onde se encaixam nomes como Spade Cooley e,


mais recentemente, o grupo Asleep At The Wheel.



Quem não gravou algum country na vida? Vários roqueiros chegaram a fazer LPs inteiros com essa ambiência caipira: Beatles For Sale,


Muswell Hillbillies dos Kinks, Sweetheart Of The Rodeo dos Byrds, muita coisa dos Stones, Talking Heads, Eric Clapton... O rockabilly também mereceria um livro só para ele, mas não podemos esquecer da participação da música do 49º Estado norte-americano, o Havaí, com suas guitarras elétricas de colo, conhecidas justamente como guitarras havaianas (consta que este estilo, muito usado no country e no blues, foi inventado em 1894 pelo havaiano Joseph Kekeku, que deixou cair um pente em cima do braço de seu violão), e seu ukulele (na verdade outro nome para o nosso cavaquinho; ambos têm a mesma origem, o machete português, ora, pois). Aliás, outro grande artista que também se aventurou pelo country foi, acredite se quiser, W.A. Mozart,


aquele, que também compôs "contradanças" para as danças camponesas de sua Áustria, que, importadas pela França, vieram para os EUA e o Brasil, onde se transformaram nas respectivas quadrilhas, conhecidas nos EUA como "square dances", que inclusive aparecem no primeiro filme de Elvis, Love Me Tender - aliás, vamos terminar lembrando que Elvis foi banido de um show/programa de rádio importante porém tradicional demais, Grand Ole Opry, para logo em seguida se revelar nacionalmente em outro, mais progressivo, Louisiana Hayride.

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002-11 Country 03


Isaac Hayes


e The Grateful Dead.


Não esquecendo os Everly Brothers,



os "Tonico e Tinoco norte-americanos", que influenciaram qualquer rock com duas vozes - Simon and Garfunkel, Lennon and McCartney ou, pode reparar, gravações do Iron Maiden como "Run To The Hills".


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002-11 Country 02


e Tex Ritter (1905/1974).


O pioneiro do country que mais influenciou o rock é Jimmie Rodgers (1897/1933), o "father of Country music",


que assimilou o "yodel" dos Alpes Suíços (aquele vocal "lorelei" que se aclimatou muito bem nos Montes Apalaches, que vão da Virgínia ao Tennessee - não por acaso o Estado onde melhor se desenvolveu o country, em cidades como Memphis e Nashville). Rodgers chegou a gravar country com uma canja de dois jazzistas dos melhores e mais ecléticos, Louis Armstrong e Earl Hines, além de muitas de suas composições serem blues cantados em country ("Mule Skinner Blues", "Long Tall Mama Blues"). Outros pioneiros são Jim Reeves (1924/1964), Merle Travis (1917/1983, autor do clássico "Sixteen Tons"),


Johnny Cash (nasc. 1932), a Carter Family nos anos 20-30 e Hank Williams (1923/1953), o pai do country moderno, regravado por artistas tão diversos como os The Carpenters,


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002-11 Country 01


Iahú!   Todo país tem sua "country music", música do campo, interiorana, caipira mesmo, pouco letrada mas muito fluente, música tão popular que muitas vezes chega a ser confundida com folk-music. Só que, cá e lá, enquanto a folk music é mais sóbria e com uma "mensagem", o country não se envergonha de ser chorosa demais ou alegre demais, sentimental demais - ou seja, a um passo do "brega", quando não chega a dar esse passo (foi dito que o country bom é ótimo e o country ruim é ainda melhor), além de dar muito mais ênfase à parte instrumental que o folk.

Salvo engano, o primeiro disco de country é "The Little Old Log Cabin On The Lane", de 1924, com o violinista Fiddlin' John Carson (1868/1949),


quebrando o gelo da indústria cultural da época, que considerava os caipiras indignos de atenção - pois é, tal preconceito não é privilégio do Brasil nem de hoje. (Por sinal, a country music bateu recordes de vendas nos EUA em 1991). O termo "hillbilly", para designar os caipiras americanos, foi cortesia de Billy Peer, produtor que descobriu e gravou John Carson e montou um grupo a que chamou The Hill-Billies em 1925.


Bem, os caipiras foram abrindo caminho pela mídia, de modo que para resumir, ainda nos anos 20 não faltavam discos, bailes e programas radiofônicos country em todos os EUA - sem falar que o cinema falado mal nasceu e já foi invadido pelos primeiros "singing cowboys", como Roy Rogers (nasc. 1911),


Gene Autry (nasc. 1907)



e

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sábado, 24 de março de 2012

002-10 Zydeco


Neste caso, os negros norte-americanos sofreram influência dos descendentes de franceses deportados em 1713 da Acádia para os EUA, em função do Tratado de Utrecht, entre França, Inglaterra, Espanha e Holanda, tratado este concluído para terminar a guerra de sucessão espanhola; a França manteve todo seu território, mas teve que ceder Gibraltar, Terra Nova e Acádia para a Inglaterra.


Estes acadianos ( ou "acadien", segundo eles próprios) ajudaram a colonizar a região da Louisiana e do Oeste texano, e, graças à pronúncia dos nativos, "acadien" acabou mudando para "cajun". Os negros escravos dessa região chamaram-se "creoles", e por ali se falava inglês, francês e creole (idiomas em que se cantava o cajun), até que um decreto em 1916 obrigou todo mundo a falar somente inglês, o que causou muito ressentimento (por sinal, "Jambalaya", clássico country de Hank Williams, tem sabor cajun até na letra). Veja o vídeo Jambalaya de Hank Williams e também a gravação  de Brenda Lee:


O instrumento mais característico do cajun era o violino, trazido da França, (Veja Zydeco Man - Stevens Mill Band )


até a chegada do acordeão diatônico lá por 1830, (Veja Elvis Fontenot and The Sugar Bees )


substituído por sua vez pelo acordeão-piano no século seguinte. ( Veja Tom Rigney and Flambeau - "Do the Zydeco" )


E o zydeco é uma versão "creole" (ou seja, negra) do cajun, soando curiosamente como uma mistura de blues com nosso forró. Tanto o cajun como o zydeco exerceram muita influência sobre o country e o rhythm and blues.



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002-09 México 03


Continuação 03

Parece-me adequado transcrever uma opinião do crítico Lester Bangs: "Rock and roll" é a mais democrática e "all-American" das artes. Segundo uma teoria, todo o punk rock começa em "La Bamba" de Richie Valens. Considere só o choroso mariachi de três acordes de Valens à luz de "Louie Louie" dos Kinks,



daí considere "Louie Louie" à luz de "You Realy Got Me" dos Kinks,



daí "You Realy Got Me" à luz de "No Fun" dos Stooges,


daí "No Fun" à luz de "Blitzkrieg Bop" dos Ramones,


e note que "Blitzkrieg Bop" se parece muito com "La Bamba". Taí: 20 anos de história do rock and roll em três acordes, tocados mais primitivamente a cada vez que são reciclados.

Mas a influência mexicana não é só "La Bamba". Basta lembrarmos outros ilustres chicanos, como Carlos Santana,


as vozes e violôes do Trio Los Panchos,


Herb Alpert e mil outros, ou o Tex-Mex, gênero tocado por "tejanos", ou seja, texanos de origem mexicana, como Doug Sahm.


Sem falar em Elvis brincando de seresteiro de Acapulco em seus filminhos.




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002-09 México 02


Continuação 02

"Wild Thing" dos Troggs e de Jimi Hendrix,



"Get Off My Cloud" dos Stones,


"Louie Louie" (por sua vez outro grande clássico, que já mereceu um livro só para ele, lançada por Richard Berry em 1956,


regravada por todo mundo e que se derivou em outros clássicos como "The Game of Love" dos Mindbenders,



"Brother Louie" do Hot Chocolate / Stories,


"Plastic People" de Frank Zappa,



"Good Lovin'"dos Olympics e Rascals,


"More Than A Feeling" do Boston,




"Mother Freedom" do Bread e,


repare, "Smells Like Teen Spirit" do Nirvana).



Continua na próxima ...


 

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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

002-09 México 01


A música folclórica do vizinho México também contribui, e muito para o rock and roll. A figura mais importante foi o primeiro roqueiro "chicano" (norte-americano descendente de mexicanos), Richie Valens (nascido Richard Valenzuela, 1941/1959), cujos hits incluem uma versão rock de "La Bamba",



canção mexicana usada nos casamentos do estado de Veracruz há mais de 200 anos. "La Bamba" mereceria um livro só para ela; além de fazer sucesso cada vez que é regravada (Trini Lopez,



Los Lobos),


sua seqüência harmônica inspirou, direta ou indiretamente, uma infinidade de clássicos do rock, como "Twist And Shout" dos Isley Brothers,


"Piece Of My Heart" de Erma Franklin (irmã de Aretha)


e Janis (o autor é o mesmo, Bert Berns),


"Like A Rolling Stone" de Bob Dylan,


"And You And I" do Yes,


a parte do meio de "You've Lost That Lovin' Feelin'" dos Righteous Brothers,


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002-8 Folk


No princípio alguém, não sei quem, inventou uma música, mais tarde foi inventada a partitura. Foi dito, com toda razão, que a música folclórica, de autor desconhecido, é "a mãe de toda a música"; que o digam, por exemplo, J.S.Bach, Bartok e Villa-Lobos, grandes adaptadores do folclore de seus países.

A folk-music ("música do povo") norte-americano firmou-se como tal em meados do século XIX; como em todos os países, temos compositores ianques conhecidos cuja obra tem sabor folclórico, talvez o mais ilustre sendo Stephen Foster (1826/1864), autor de "Oh! Susanna" (regravada em rock pelos Byrds)


e "Old Kentucky Home" (idem Randy Newman),


além dos mais recentes Pete Seeger (nasc.1919),


Woody Guthrie (1912/1967)


e Leadbelly (já citado também como bluesman).


Cantigas infantis, além de também serem música folclórica, sempre se deram muito bem com o espírito de molecagem do rock and roll. "Walking The Dog", de Rufus Thomas


(regravada pelos Rolling Stones,


Aerosmith e outros),


e "Ain't That Just Like Me" dos Coasters (idem os Hollies e os Searchers)



são apenas dois clássicos do rock baseados em "nursery rhymes",


"Three Blind Mice"


não é só o tema dos Três Patetas, tendo inspirado nada menos que duas melodias de John Lennon, "My Mummy's Dead"


e "Oh! Yoko".



E não podemos esquecer que canções infantis foram a razão de ser de tudo um subgênero do rock, o bubblegum, provando que o ser humano, à medida que cresce, vai ficando mais sacana e menos maldoso.

Na virada dos anos 50 para 60, o rock era coisa de moleque; universitários e pessoas mais elitistas preferiam o folk. Mas lá por 1962 a 1963 o folk e o rock fizeram as pazes e, como se você não soubesse, o resultado foi outro subgênero, o folk-rock, onde se notabilizaram Bob Dylan, The Mamas and The Papas, Peter, Paul and Mary, os Byrds e os inglês Donovan, sem falar em espertinhos que pegaram carona no sucesso do gênero, como Sonny and Cher, ou em fãs do blues que a princípio preferiam o folk ao rock, como a jovem Janis Joplin. Filmes e teorias sobre folk-rock falaremos em futuro Post.


No próximo post você verá México ...


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