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segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Geraldo Vandré




Geraldo Vandré foi uma bandeira. Símbolo musical da resistência ao estado político de coisas que tomou conta do Brasil após a Revolução de 1964. Nascido na Paraíba (João Pessoa, 12/09/1935), Geraldo Pedrosa de Araújo Dias - o Vandré é abreviatura do nome paterno José Vandregísilo -, desde cedo liberou seu lado político. Parceiro de Carlos Lira no Centro Popular de Cultura, na União Nacional dos Estudantes, já no Rio de Janeiro, com quem fez Quem Quiser Encontrar o Amor, optou pela composição desistindo de cantar, embora no futuro apresentasse seus trabalhos.

Começa a ser notado depois de vencer o Festival da TV Excelsior, no Guarujá, com a sua (e de Fernando Lona) Porta-Estandarte, iniciando sua pregação musical pelo país. Suas canções de protesto valeram-lhe prisões, exílio e o encerramento prematuro da carreira. Destaque para Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores, Disparada, Fica Mal Com Deus, Ventania, O Plantador.



Fonte: 

Encarte - MPB Compositores
Galeria de Estrelas
Edição de 2002
Editora Globo S.A.


terça-feira, 25 de agosto de 2015

1966 - Era dos festivais - Brasil



Durante os primeiros anos da Ditadura Militar no Brasil, observou-se um intenso crescimento da produção musical no Brasil que modificou a música popular brasileira. Com a internacionalização de novos estilos musicais como, o rock and roll, a história da música brasileira ganhou novos contornos a partir da década de 1960.

Instalou-se no Brasil a cultura da música dentro da televisão, programas como a Jovem Guarda, formado por jovens cantores como Roberto Carlos, Vanderleia, Erasmo Carlos e muitos outros tornaram-se líderes de audiência. Nesta mesma onda, os festivais musicais ganharam notoriedade na cultura dos anos 60 e a televisão foi fundamental para que o Brasil conhecesse melhor sua produção musical.

Acima Roberto Carlos, abaixo Vanderleia e Erasmo Carlos

Os festivais apresentaram uma safra rara e riquíssima de compositores e intérpretes como Chico Buarque de Holanda, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Nara Leão, Geraldo Vandré entre muitos outros.  Com eles, em vez da música chegar ao público através do rádio, chegou à casa das pessoas pela televisão, e anos depois pelos discos.

Chico Buarque de Holanda
Caetano Veloso e Gilberto Gil

Nara Leão

Geraldo Vandré

Em outubro de 1966, a TV Record televisionava a final do Festival Musical, no qual as canções finalistas foram “A Banda” de Chico Buarque, e “Disparada” de Geraldo Vandré e Théo de Barros; o júri decidiu por empate! As duas canções saíram vitoriosas, mas naquela noite a verdadeira grande vitoriosa foi a MPB.

A BANDA - CHICO AO VIVO - 1966 - 4:31 min.



Disparada 1966, Festival de Música da TV Record


Já em outubro de 1967, “Ponteio”, “Domingo no Parque”, “Roda Viva” e “Alegria, Alegria” foram as quatro primeiras colocadas e, para alguns historiadores, foi naquela noite que a MPB nasceu como gênero musical único. Vale lembrar que a expressão Música Popular Brasileira já existia e designava todo o tipo de música feita no país, tudo o que não era erudito era designado MPB.

O festival de 1967 foi apresentado de forma intensa e detalhada pelo documentário “Uma Noite em 67”, dirigido por Renato Terra e Ricardo Calique, e está repleto de entrevistas com os personagens mais representativos daquele período – cantores, organizadores, compositores – e imagens reais do festival, fazendo um balanço do que significou aquela noite de 1967 na cultura musical brasileira.

Trailer - Uma Noite em 67


A MPB da forma como a conhecemos hoje – um gênero musical bem definido em termos de música e letra – nasceu em um momento de cerceamento de liberdade; foi fruto de seu tempo e tinha um caráter de protesto; tem a incorporação de novos elementos sonoros como a guitarra elétrica, que aparece na música “Alegria, Alegria” de Caetano Veloso, que foi um dos percussores do movimento conhecido como Tropicalismo.

1967-10-21 Festival MPB 6 Caetano



Caetano Veloso entrou no palco e apresentou aquelas guitarras elétricas e a platéia vaiou-o imediatamente, só que no decorrer da canção ele convence o público e acaba aplaudido. Porém, o mesmo não aconteceu no festival do ano seguinte, em 1968, quando ele apresentou “É proibido proibir” e foi vaiado do começo ao fim. Caetano ficou estarrecido com a atitude do público e encerrou sua apresentação com um discurso bastante contundente, resumido na seguinte frase: “Se vocês forem para a política como são para a estética nós estamos feitos”. Veloso respondia à ala mais reacionária do público – composto basicamente por universitários – que não aceitava uma nova estética musical.

Caetano Veloso - É proibido proibir



O festival de 1968 foi marcado por controvérsias e não é considerado tão inovador quanto os anteriores; sua maior contribuição para a música brasileira foi a consolidação do tropicalismo – que significava uma abertura para novos tipos de linguagem, ideias e componentes não musicais; buscavam uma desestruturação de música. Mas as idéias do tropicalismo não atendiam ao imediatismo buscado pelos militantes de esquerda contra o endurecimento do Regime Militar. Para esses militantes Caetano e Gil não tinham uma postura clara contra o Regime Militar; os universitários presentes na platéia do festival eram esteticamente conversadores, não ligavam para os novos arranjos e performances, queriam músicas com letras claras e diretas como as de Vandré e Chico Buarque.

Arquivo Record conta a historia da - Tropicália


Os festivais musicais contribuíram para a consolidação da MPB, foram momentos importantes para a expressão cultural brasileira e  também para protestos contra o regime militar. O festival de 1967 é cotado até hoje como o mais importante do ponto de vista musical. As canções nele apresentadas ainda figuram no gosto popular, e a audiência da Record ainda é a maior de todos os tempos, com 97 pontos no IBOPE, a final entrou para o Guiness Book e nunca mais foi superado.

Esta pesquisa foi muito complicada, pois a Rede Record passou por diversos incêndios em que muitos arquivos foram perdidos. Conseguiram salvar apenas alguns documentos, poucos filmes, diversos áudios e fotos. Veja a reportagem abaixo:


Incêndios destroem estúdios e central técnica da TV Record

Na década de 60, desastres marcaram a história da TV Record


Muita gente se lembra até hoje.

Na década 1960, trágicos incêndios destruíram estúdios e a central técnica da Rede Record  — que, na época, ficavam no bairro do Aeroporto, em São Paulo.

Em 1966 e 1968, incêndios de grandes proporções voltaram a destruir instalações e partes importantes do arquivo da casa.

No ano de 1969, a emissora passou por mais dois incêndios: primeiro no Teatro Record e depois no Teatro Paramount, ambos os locais em que ela gravava ou apresentava ao vivo toda a sua grande linha de shows.

Na época, incêndios em emissoras de TV eram muito comuns – ora por motivos criminosos, ora por conta da tecnologia e segurança precárias da época.

Na foto abaixo, bombeiros tentam apagar o fogo no Teatro Record, em imagem de arquivo.