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terça-feira, 12 de junho de 2012

002-13 Reino Unido 01


Descobertos e colonizados pela velha Inglaterra, os EUA não poderiam deixar de ser influenciados por sua cultura, mesmo depois de independentes e com identidade e cultura próprias.

No início do século XX, terminada a era vitoriana, a Inglaterra era um país começando a descansar de sua antiga atividade e missão na vida de conquistar o mundo inteiro, porém sempre mantendo a fama de povo excêntrico, fleumático e ordeiro.

Afinal, já diz o provérbio, bastam dois ingleses para formarem uma fila. um paradoxo interessante é ser a Inglaterra um dos países que mais insistem em manter a distinção de classes sociais, mas nada impedir um cidadão inglês esforçado (ou não) de passar de uma classe social para outra. E, ao contrário dos jovens e moleques norte-americanos, a Inglaterra tem uma cultura milenar, além de ser democrática o bastante para que essa cultura possa fluir por todas as classes sociais. Músicos populares ingleses geralmente acabam tentados a "dignificar" sua obra, enquanto os eruditos não costumam se opor a autorizar ou mesmo fazer adaptações mais acessíveis de suas composições (além de buscarem inspiração na música popular). E nada impede que uma parte mostre seu "humour" inglês e parodie impiedosamente a outra, apesar da fama de nação mais polida do universo, sempre dizendo "sorry" e "oh-dear".

Mais para a metade do século XX, a Inglaterra ainda era a campeã da inovação (inclusive, os grandes musicais norte-americanos vinham de Londres até cerca de 1920, quando compositores ianques como George M. Cohan e Cole Porter aprenderam a técnica), mas economicamente, o país era apenas o "50º Estado norte-americano". Combalida pelas duas guerras mundiais - como, aliás, quase toda a Europa -, a Inglaterra acabou se beneficiando com o Plano Marshall americano de ajuda financeira. E, em função dessa debilidade econômica, o mundo só poderia vir a saber de suas inovações musicais se filtradas e divulgadas através dos poderosos EUA - o que, aliás, acontece até hoje.

Mas, artisticamente, os britânicos continuavam imbatíveis.

Muitas das canções de maior sucesso na primeira metade século eram de compositores ingleses, como "These Foolish Things",


"If I Had You"  (1929) Rudy Vallee,


 "Roses Of Picardy".


Não é por só disporem de uma única emissora de rádio e TV, ou por terem que esperar até 1952 para terem sua parada de sucessos, que os ingleses deixariam de influenciar os norte-americanos, ainda que sutilmente. Além dos ídolos de apelo exclusivamente doméstico, como o cantor e humorista George Formby (1904/1961) ("Our Sgt. Major" on his uke-banjo),


havia aqueles que conseguiam acontecer, ainda que pouco, nos EUA, como a cantora Gracie Fields (1898/1979), cujo hit "Sally" foi regravado por Paul McCartney em 1991,


e que emplacou "Now Is The Hour" nos primeiros lugares ianques em 1948,


e Vera Lynn (nasc. 1919), que chegou a cantar para animar as tropas durante a II Guerra e a ser a primeira cantora inglesa a chegar ao primeiro lugar nos EUA (com "Auf Wiedersahn, Sweetheart" em 1952)


 - mas "We'll Meet Again", um de seus grandes sucessos nos EUA e Inglaterra,


chegou a ser regravada já nos anos 60 pelos Byrds



 e Turtles, como uma homenagem meio gozativa à geração anterior.


Continua no próximo post...


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quinta-feira, 6 de maio de 2010

Legião Urbana


Sempre que pensamos em rock, pensamos em bandas e cantores que se tornaram verdadeiros monstros da música. Grupos como Led Zeppelin, Iron Maiden, Deep Purple, Pink Floyd, Black Sabbath, Beatles, Rolling Stones, entre outros, mas esquecemos que o Brasil nos deu verdadeiros gênios da música, principalmente do rock. De todas as bandas que passaram por esses anos, podemos afirmar com convicção que a Legião Urbana foi a maior de todas.

Banda Legião Urbana
Porque a maior? É uma pergunta para qual a resposta é a própria trajetória da banda. A Legião foi uma das poucas bandas que sobreviveu por quase duas décadas num estilo de música com tantas mudanças e modas como o rock n’roll. É uma banda que possui fãs apaixonados, que a idolatram como uma religião, o que infelizmente trouxe problemas para a banda, como nos trágicos shows de 86 e 88 que mostraremos a seguir. Suas músicas tinham algo que faltava em muitas outras bandas: poesia e letras que praticamente "conversavam" com o público. Quem que nunca se identificou com alguma música do Legião? Todos nós com certeza já ouvimos ao menos uma música que tinha algo para nos dizer. E, para resumir, foi uma banda que alcançou um sucesso fenomenal sem estratégias de marketing e com raríssimas aparições na TV, sempre seguindo seus princípios (provavelmente herdados da época em que seus integrantes faziam parte do movimento punk).

Legião Urbana é isso. Uma relação de amor ou ódio, um grupo que sabia como ninguém fazer música e expressar seus sentimentos e os sentimentos dos jovens de toda uma nação, fazendo-os pensar no que acontecia no mundo ao seu redor. Uma banda que hoje faz parte da história da música no Brasil, e que com certeza estaria levando seu trabalho adiante por muitos anos se Renato ainda estivesse vivo.

A História da Legião remonta ao final dos anos 70, época em que o cenário do rock brasileiro não estava muito definido. Naquela época, se você pensasse em rock o que viria a cabeça seria o movimento da jovem guarda, indo mais no passado, e grupos como os Mutantes e cantores do porte de Raul Seixas, tido por muitos como o verdadeiro pai do rock moderno brasileiro. Nessa época o mundo transpirava ideologia, com vários movimentos culturais e sociais ocorrendo ao redor do mundo. No Brasil, os hippies saiam de cena e entravam os punks, com suas atitudes agressivas e até anarquistas. O celeiro do movimento punk foi Brasília, e nesse meio estavam jovens que se tornariam os mestres do rock nos anos 80, entre eles Renato Russo, André Pretórius (ex-Plebe Rude), Fê Lemos e Íco Ouro-Preto (Ex-Capital Inicial) só para citarmos alguns...

Todos eles faziam parte de uma gigantesca turma (ou "tchurma", como se dizia) que se reuniam para conversar, beber, amar e se divertirem como puder. Diversão, naquela época, era algo complicado em Brasília, ela praticamente não existia. Restava as turmas organizarem festas (e ocasionalmente invadirem em bando as festinhas caretas) onde bebiam e escutavam punk rock. Foi uma dessas festas que André Pretorius conheceu Renato Russo, mas precisamente por causa do punk rock. Pretorius olhou os discos que estavam tocando e quis saber quem era o dono deles, e é aí que entra Renato. Nas palavras do Renato Russo o encontro foi mais ou menos assim: "André Pretorius parecia um Sid Vicious loiro. Ele encontrou comigo e perguntou – Cara, você gosta de Sex Pistols ? - Sex Pistols ? Yeah! Legal! – Então que tal formamos uma banda ? ".

Bandas eram o que não faltavam naquela turma. Foram formadas várias na época e todas elas interagiam entre si, trocando integrantes e músicas, e organizando festivais. Querem um exemplo ? Capital Inicial tocava "Fátima" com a letra de Faroeste Caboclo e o Legião fazia o inverso. Imaginem o que isso causava. Dentre as bandas de Brasília, as mais importantes (por fazerem parte da "tchurma") eram Aborto Elétrico (a primeira banda de Renato Russo, considerada o embrião do Legião Urbana, que inclusive incorporou suas músicas no repertório), Blitx 64, Metralhaz, Dado E O Reino Animal, Vigaristas de Istambul... entre muitas outras (todas essas bandas seriam dissolvidas em poucos anos, e seus integrantes formariam os grupos que dominaram o rock dos anos 80, como por exemplo o Capital Inicial, Plebe Rude e, é claro, o Legião).

Depois do encontro entre Renato Russo e André Pretorius, os dois formaram o Aborto Elétrico, tida como a primeira entre as bandas punk de Brasília. Com Renato no baixo e nos vocais, André na guitarra e mais Fê Lemos na bateria o trio estava formado e pronto para tocar.

O aborto elétrico, formado em 79, durou apenas até 1982, fruto de brigas entre Renato Russo e Fê Lemos. Fê Lemos era tão temperamental quanto Renato, e era também um dos mais influentes da turma. Eles chegaram a discutir inclusive durante os shows, brigando no palco por causa da insistência de um se sobressair mais que o outro na música. Após uma dessas brigas Renato decide sair do grupo, e começa a tocar sozinho, definindo um estilo mais folk, que seria adotado no repertório do Legião Posteriormente. Dessa fase, Renato cantava músicas mais completas com um storyboard, como Eduardo e Mônica, Faroeste Caboclo, Dado Viciado, entre outras.

Depois do sucesso do Aborto Elétrico, as outras bandas de Brasília começaram a aparecer.. E com a explosão dos Paralamas do Sucesso no Rio e em São Paulo, e com o sucesso que o Plebe Rude estava alcançando com suas músicas politizadas, Renato Russo decide formar uma nova banda junto com Marcelo Bonfá. Este, por sua vez, vinha de algumas experiências com outras bandas, como o Metralhaz e por último no Dado e o Reino Animal. Durante suas experiências solo, Marcelo começou a flertar com vários modelos de som, desde reggae à música computadorizada. Juntos, os dois decidem formar uma nova banda, a Legião Urbana.

Renato e Marcelo, depois de decidirem montar uma banda, alugam uma sala no Brasília Rádio Center para começarem suas primeiras experiências, mas para que o grupo estivesse completo faltava um guitarrista.

Renato Russo andou observando então Eduardo Paraná, um conceituado guitarrista de Brasília, tido com o melhor deles na época. E durante um show de Paraná em um barzinho, Renato fez o convite, o qual Paraná aceitou na hora. Era a chance dele tocar em uma banda nova, e de entrar para a "tchurma" ao mesmo tempo.

Aos três, se juntou Paulo Paulista, tecladista, que entrou e saiu da banda sem marcar presença. Foi o único tecladista fixo de toda a história do legião, posição que depois foi ocupada pelos membros da banda ou assumida por músicos convidados. Era a primeira vez que Paulo e Paraná tocavam em uma banda elétrica, fato que motivou os dois.

O nome legião, foi sugerido pelo próprio Renato Russo, que conforme uma entrevista dada a Showbizz, poderia ter tido qualquer outro nome. O Legião veio porque eles eram uma turma muito grande, uma verdadeira legião, e o Urbana obviamente porque eram uma legião na cidade, que faziam música urbana. Banda formada, nome encontrado, tudo pronto para o primeiro show.

Curiosamente, o primeiro show do Legião não foi em Brasília, mas em Minas Gerais, numa certa Festa do Milho, onde o promotor da festa havia decidido encaixar algumas bandas de rock entre atrações mais populares. O Show não terminou muito bem, com todos os integrantes da banda algemados. O Motivo? Em plena ditadura militar o vocalista da Plebe Rude, André Mueller começou a conversar com o público, todos moradores da região e trabalhadores agrícolas na maioria, conversa cujo teor socialista não agradou a polícia. Após algumas horas na delegacia foram todos liberados e voltaram para Brasília sãos e salvos. O sucesso da banda veio somente no terceiro show, no Setor Comercial Norte, onde apesar do público baixo, a banda foi recebida com grande entusiasmo, um passo enorme para eles.

Paraná e Paulo Paulista não duraram muito. Paulista saiu tão rapidamente quanto entrou, e Paraná não se encaixava no padrão de música da banda.

Paraná era um músico mais profissional, com um trabalho elaborado. Seus solos intermináveis e estilizados eram fruto de suas influências musicais, guitarristas do porte de Jimmy Page e Jeff Beck. Solos não combinavam com a música punk, de poucos acordes e ritmo rápido. Outro motivo para a saída de Paraná e Paulista era que eles impunham um estilo nitidamente pesado ao som da banda, muito Heavy Metal, o que incomodava Renato Russo e Marcelo Bonfá.

O buraco causado por Paraná foi coberto por Íco Ouro Preto, amigo de Renato Russo e ex-integrante do Aborto Elétrico. Íco também não ficou muito, não chegou nem a subir no palco (era famosa a lenda de que o guitarrista morria de medo do palco). Íco também na época já estava em dúvida quanto ao seu talento musical, e decidiu ser fotógrafo, arrumando as malas e indo para Europa. Outro motivo dele ter abandonado a banda, só explicado recentemente, foi uma cena presenciada por ele numa festa, onde Renato Russo, bêbado, agarrou um cara, deixando Íco em dúvida quanto as preferências sexuais de Renato. Durante sua passagem pelo Legião, Íco, acostumado ao estilo do punk rock, ajudou a terminar arranjos de algumas músicas, que não davam certo com Paraná.

Depois da saída de Íco Ouro Preto, Russo e Bonfá se viram com um grande problema: eles haviam alugado (junto com a turma) o Teatro da OAB para tocarem por quatro finais de semana. Os dois não sabiam o que fazer, e pensaram em várias alternativas, como seguir em dueto, desistir, utilizar percussão eletrônica, quando se lembraram de um outro guitarrista sem banda: Dado Villa-Lobos. Dado (isso mesmo, ele é sobrinho neto de nada menos do que Heitor Villa-Lobos) se mostrou um guitarrista tão bom que assumiu o posto definitivamente no Legião. Além de tudo, ele aprendeu em poucos dias tudo o que os outros integrantes na banda haviam demorado semanas para assimilar, e de quebra, ajudou a terminar e encontrar o ritmo para diversas músicas do Legião. A apresentação acaba sendo um sucesso. (anos depois a banda utilizou desenhos de Bonfá no álbum "Que País é Este" para ilustrar uma história em quadrinhos contando sobre a entrada de um guitarrista fixo na banda)

Mesmo com a entrada de Dado, a banda tem pouco tempo para trabalhar em músicas novas para várias apresentações agendadas, e precisam de uma saída. A saída ? tocar hardcore; a música é simples e de poucos acordes, com uma energia contagiante. Dessa época surgem "Petróleo do Futuro" e "Teorema", entre outras. Algumas músicas da época do Aborto Elétrico, mesmo a contragosto da banda, precisaram ser utilizadas, como "Química" e "Conexão Amazônica" que ganharam arranjos diferentes. Outras como "O Reggae" são terminadas com o auxílio de Dado, completando assim o repertório do Legião.

Nessa época os Paralamas estavam a pleno vapor, fazendo muito sucesso no Brasil. E para sorte do Legião, Bi Ribeiro, integrante da turma e ex-aluno de inglês de Renato Russo consegue uma oportunidade para a banda: gravar um álbum pela EMI, gravadora dos Paralamas, que acabam se tornando seus "padrinhos".

As gravações estão no meio, e um fato marcante acontece: Renato Russo corta os pulsos depois de uma briga com a gravadora por causa dos arranjos de "Geração Coca-Cola". Depois do incidente, Renato fica incapacitado de continuar tocando baixo, e para resolver o problema a gravadora coloca Renato Rocha (mais conhecido como Negrete) no baixo, liberando Renato Russo para os vocais.

A gravadora lança então, em 1985, o primeiro álbum auto-intitulado "Legião Urbana". As músicas eram do repertório básico (Será, Ainda é Cedo, Petróleo do Futuro, Teorema, Por Enquanto, Perdidos no Espaço, A Dança, O Reggae, Baader Meinhof-Blues, Soldados e Geração Coca-Cola). A EMI estava receosa, pois achava que o Legião era só mais uma banda querendo se aproveitar do sucesso dos Paralamas, como dezenas de bandas que surgiram na época.

Mas o receio não durou. Em pouco tempo músicas como "Será" e "Ainda é Cedo" estavam tocando nos rádios e atingindo altos níveis de audiência.

No mesmo ano, a banda se junta em estúdio para iniciar as gravações de seu segundo disco chamado "Dois" (existem duas versões para a banda ter utilizado esse nome no disco; a primeira é, como o próprio nome diz, por ser o segundo trabalho; a segunda versão diz que o nome vem do fato que o segundo álbum devia ser duplo – dois discos – mas como a gravadora ainda não tinha certeza se a banda conseguiria repetir o sucesso do primeiro álbum decidiu lançar um álbum simples. O nome desse álbum duplo deveria ser "Mitologia e Intuição"). O disco (com as faixas "Daniel na Cova dos Leões", "Quase sem Querer", "Acrilic On Canvas", "Eduardo e Mônica", "Central do Brasil", "Tempo Perdido", "Metrópole", "Plantas Embaixo do Aquário", "Música Urbana 2", "Andrea Doria", "Fábrica" e "’Índios’"), marca época no rock e se torna um marco para a banda. Nele, o Legião acaba definindo seu estilo de música, um rock suave, mas com pitadas de hardcore, com uma música em segundo plano e variações vocais e instrumentais, e letras profundas e com críticas a sociedade e a humanidade mas extremamente poéticas, que nos faziam pensar, sem contar nas músicas folk-urbanas, que também marcaram um estilo de Renato Russo cantar e tocar.

O álbum se torna rapidamente um sucesso de vendas, e também foi o disco mais vendido da história da banda. Nessa época, acontece a primeira tragédia com a banda: num show em dezembro de 1986 no ginásio poliesportivo de Brasília, um quebra-quebra termina com uma menina morta e 20 pessoas feridas. Esse fato colaborou a atitude da banda de realizarem pouquíssimos shows durante sua trajetória.

O incidente quase terminou com o Legião. Depois de dois anos sem se manifestar e com a decisão de não fazer mais shows em Brasília, o grupo desiste da ideia de abandonar a carreira e lança mais um álbum novo, o terceiro da banda, "Que País é Este". Este álbum trouxe surpresas ao público, pois ao invés de colocarem composições novas, o Legião gravou músicas da época do Aborto Elétrico e do início da carreira da banda, numa espécie de retrospectiva da carreira. O disco trazia junto um encarte que contava uma breve história da banda, desde a época do Aborto, e comentava cada música individualmente, contando também a história delas. Foi outro bom álbum, que alcançou boas vendagens. As músicas do álbum ("Que País é Este", "Conexão Amazônica", "Tédio (Com Um T Bem Grande Pra Você)", "Depois do Começo", "Química", "Eu Sei", "Faroeste Caboclo", "Angra dos Reis", "Mais do Mesmo") mostravam bem como o grupo mudou do punk para um rock mais leve e elaborado. Podemos destacar algumas músicas daí: Que País é Este – A faixa título do disco é um grande grito de protesto, que agora podia ser gravado sem problemas com censura. Rock dos bons, com direito a bate-estaca e refrão animador, era uma das que mais empolgava o público nos shows. Química – Outra música da época do Aborto Elétrico, mas merece destaque por ser conhecida em várias versões (uma das duas músicas do legião que mais possuíam versões gravadas, mas que foram incluídas em álbuns somente mais tarde. A outra música é "Canção do Senhor da Guerra", que também era para ter saído nesse álbum, mas foi retirada pois era parecida demais com as outras canções acústicas. Ela foi lançada anos mais tarde em versão elétrica na coletânea "Música para Acampamentos". Química, voltando ao assunto, já havia sido gravada pelos Paralamas e uma versão na voz do Legião foi incluída nas primeiras cópias cassete do disco "Dois"), mas a música que mais merece destaque é, sem dúvida, "Faroeste Caboclo". Faroeste foi uma música que fugia dos padrões fonográficos da época, pois era comprida demais (mais de 8 minutos), mudava de ritmo diversas vezes no decorrer (começava no conhecido folk, e terminava um punk de arrepiar!), e, como "Eduardo e Mônica", possui um storyboard (possui uma história com personagens e tudo mais). A música contava a história de João do Santo Cristo, um rapaz pobre e de vida simples e difícil que vai para a capital do país tentar a sorte e acaba no crime. Pode ser interpretada como o povo brasileiro, sofrido, que espera dos políticos uma solução que nunca aparece. Grande sucesso até hoje, que as rádios foram obrigadas pelo público a transmitir sem parar.

Depois de dois anos sem tocar em Brasília, o grupo resolveu fazer um show, muito esperado pelos fãs, mas a organização deu um exemplo de descaso e negligência, preparando um esquema ridículo de segurança, o que não deveria ocorrer, visto o saldo do último show do grupo em Brasília.

O show, feito no Estádio Mané Garrincha, levou 50 mil fãs para assistir a banda se apresentar. O palco foi instalado muito baixo, próximo do gramado, o que não impediu a platéia de subir e atirar objetos, como bombinhas, por exemplo. Até um fã descontrolado subiu e se agarrou no pescoço de Renato Russo, que assustado, continuou tocando para ver se conseguia botar ordem. Mesmo assim o grupo teve que se retirar do palco, revoltando a platéia. As cenas que se seguiram foram terríveis. Uma verdadeira batalha campal se iniciou, entre o público e a polícia, que, montada a cavalo disparava gás lacrimogênio na platéia. O quebra-quebra aumentou até que se espalhou pela cidade, e terminou com um saldo de 385 feridos, 60 pessoas presas e 64 ônibus depredados. Enquanto isso Renato Rocha e Bonfá choravam no camarim enquanto Renato praguejava que não havia vindo até Brasília para dar um show para animais. Nunca mais o Legião voltou a tocar na capital.

Depois de um longo tempo sem gravar, dois anos, a legião sai do estúdio com um trabalho que revolucionaria sua trajetória e o rock brasileiro: o disco "As Quatro Estações", já sem o baixista Renato Rocha, que se desligou do grupo logo após o final das gravações de "Que País é Este", pois não conseguia se adaptar aos compromissos com shows e gravações.

O Novo álbum, onde Renato e Dado se encarregaram dos baixos, é considerado por muitos o grande divisor de águas da história da banda. Em suas onze músicas ("Há Tempos", "Pais e Filhos", "Feedback Song For A Dying Friend", "Quando O Sol Bater Na Janela Do Teu Quarto", "Eu Era Um Lobisomem Juvenil", "1965 (Duas Tribos)", "Monte Castelo", "Maurício", "Meninos e Meninas", "Sete Cidades" e "Se Fiquei Esperando Meu Amor Passar") o lago mais pesado substituído por canções belas, com um forte apelo sentimental, e temas mais pesados (como o homossexualismo, por exemplo) adotado em suas letras. Renato também incluiu citações religiosas nas músicas, como trechos do novo testamento (Junto com os Sonetos de Camões em "Monte Castelo"), o Credo (em "Se Fiquei Esperando o Meu Amor Passar"), citações budistas (em "Quando O Sol Bater...") até citações de livros orientais antigos. Um álbum profundo, que teve quase todas músicas transformadas em sucessos nas rádios, e um dos álbuns mais vendidos da banda.

Através desse álbum com letras mais diretas, o público mais jovem (que era criança na época do início do Legião) se identificou mais com as poesias de Renato Russo, aumentando ainda mais o número de fãs da banda, a essa altura consolidada como a maior banda de rock do Brasil.

A partir de 1990, houve uma grande reviravolta na banda, mais precisamente com Renato Russo. O líder e vocalista assumiu publicamente em uma entrevista que era homossexual, e no mesmo ano descobriu que era portador do vírus da AIDS. Para completar, Renato se afundou no vício, consumindo muita cocaína e heroína. Todas essas mudanças podem ser notadas no disco "V", lançado em 1991.

O novo álbum, mais uma vez surpreendeu os fãs. Era pesado tematicamente, com músicas tristes e letras que falavam do vício nas drogas e de paixões perdidas (fruto de um relacionamento terminado abruptamente na época). Talvez por ter sido um álbum triste foi um que tinha as melodias mais belas do grupo, mas mesmo assim teve músicas bem executadas nas rádios (talvez pelo próprio status da banda). Entre as faixas ("Love Song", "Metal Contra As Nuvens", "A Ordem Dos Templários", "A Montanha Mágica", "O Teatro dos Vampiros", "Sereníssima", "Vento no Litoral", "O Mundo Anda tão Complicado", "L’Âge D’Or" e "Come Share My Life"), podemos destacar "Metal Contra As Nuvens". É uma música sem igual na história da banda. É também a música mais longa até então (11 minutos) e era dividida em quatro partes, que trazia temas medievais e heroicos, numa letra cheia de sentimento. Outras músicas como "A Ordem Dos Templários" e "Come Share My Life" por serem músicas totalmente instrumentais.

Em 1992, a gravadora lança a coletânea "Música para Acampamentos", um álbum duplo com 20 gravações ao vivo e de especiais para rádio e televisão, onde a banda mostra talento intercalando seus sucessos com covers dos Beatles e Rolling Stones. Nesse disco foi incluída a versão elétrica de "Canção do Senhor da Guerra", música, como já dita anteriormente, que possuía várias versões gravadas mas nenhuma em disco.

Depois outro longo período de dois anos sem gravar, os fãs já estavam ansiosos por novos trabalhos do Legião, e em 1993, são pegos novamente de surpresa com o álbum "O Descobrimento do Brasil", o sexto da carreira da banda.

O disco mostrava um Renato Russo alegre, de bem com a vida, recuperado do problema com as drogas e apaixonado. A capa, bem diferente do estilo das anteriores, trazia os três integrantes vestindo roupas medievais (Renato de monge, Dado de cancioneiro e Bonfá de camponês), no meio de um campo florido. Foi também o primeiro álbum a trazer um videoclipe com produção elaborada e figurino (a música "Perfeição"). Quanto as músicas do álbum ("Vinte e Nove", "A Fonte", "Do Espírito", "Perfeição", "O Passeio da Boa Vista" , "O Descobrimento do Brasil", "Os Barcos", "Vamos Fazer um Filme", "Os Anjos", "Um Dia Perfeito", "Giz", "Love In The Afternoon", "La Nuova Gioventú", "Só Por Hoje") elas falavam sobre o amor e a morte, mas ainda mantinham letras de críticas a sociedade (novamente, "Perfeição"). Uma das músicas, "Os Barcos", entrou na trilha sonora de uma novela na rede Manchete. A EMI aproveitou o álbum muito bem comercialmente, que também teve vendagens boas, mas não tantas com os discos anteriores. Muitos fãs antigos não gostaram pois acharam que o estilo de música havia mudado muito. A Legião também fez alguns shows desse álbum, sendo um deles inclusive transformado para a televisão com depoimentos da banda. O Show foi mostrado a exaustão após a morte de Renato.

Três anos se passaram e os fãs tinham poucas notícias da banda e estavam ávidas por novos trabalhos. Neste meio tempo, para burlar a ausência do grupo, a EMI lança em 1995 uma lata em edição limitada com todos os álbuns da banda, com exceção do disco duplo "Música para Acampamentos", remasterizados por Dado Villa-Lobos nos estúdios londrinos da Abbey Road. A lata incluía um livreto com a história da banda e dos discos, e se esgotou rapidamente das lojas. Posteriormente, a EMI distribuiu no mercado os CDs da lata, individualmente, substituindo as gravações originais. Os CDs receberam novo tratamento visual, inclusive no rótulo, e também um selo desenhado por Marcelo Bonfá (Os três andando descalços) impresso na contracapa.

Entre esses três anos, Renato lançou dois álbuns solo, o "The Stonewall Celebration Concert", um álbum comemorativo cantado em inglês, que celebrava os vinte anos de um levante homossexual nos Estados Unidos. O disco continha músicas de Bob Dylan e Madonna, entre outros cantores, e teve seus lucros revertidos para campanha contra a fome do sociólogo Herbert de Souza.

O outro álbum solo, "Equilíbrio Distante", era um álbum cantado em italiano, que segundo Renato, foi feito a pedido de sua família, que gostaria de vê-lo cantando músicas tradicionais em italiano. O disco, foi um sucesso de vendas instantâneo, com mais de 300 mil cópias, e teve suas músicas (principalmente "Strani Amore") tocadas em rádios que nunca antes haviam tocado rock ou falado em Legião Urbana. O trabalho serviu também para chamar a atenção das pessoas pelo lado poético de Renato, e para a beleza de suas composições. Muitas pessoas que se arrepiariam de escutar um disco de rock se tornaram fãs do legião depois do trabalho solo. O disco rendeu também videoclipes, uma indicação para o Video Music Awards Brasil 96 e levou o Premio Sharp de Música na categoria "Melhor Álbum em Língua Estrangeira".

Depois do intervalo mais longo entre um álbum e outro do Legião, a EMI lança em meados de Setembro de 1996 o disco "A Tempestade (ou o Livro dos Dias)". O lançamento foi apressado, pois Renato estava muito enfraquecido e doente, e a gravadora temia que o disco acabasse sendo póstumo. As primeiras tiragens do disco vieram acondicionadas em uma caixa especial de papelão (que ao mesmo tempo era o encarte), como no disco em italiano. O encarte trazia no final uma lista de entidades de defesa dos direitos humanos, da mulher e da criança, para que o público pudesse ajudar.

O Trabalho causou, mais uma vez, surpresa até mesmo nos fãs mais acostumados com as reviravoltas da banda. Ele trazia um Renato com a voz sensivelmente debilitada pela doença, melodias e letras tristes que falavam de dor, tragédia e despedida. O álbum trazia poucas músicas com apelo comercial para as rádios e a primeira faixa transmitida foi "A Via Láctea" (a faixa, depois da morte de Renato, foi finalmente compreendida como a sua despedida do mundo).

As músicas ("Natália", "L’Avventura", "Música de Trabalho", "Longe do Meu Lado", "A Via Láctea", "Música Ambiente", "Aloha", "Soul Parsifal", "Dezesseis", "Mil Pedaços", "Leila", "1º de Julho", "Esperando por Mim", "Quando Você Voltar", "O Livro Dos Dias") eram de vários estilos diferentes. Tinha desde melodias passando por blues, soul, até lembranças de um Legião punk. Duas músicas merecem destaque: "Soul Parsifal", por ter sido feita em parceria com Marisa Monte, e por ser a mais alegre do disco; e "Dezesseis", por ser mais uma música com storyboard, contando a história de um garoto que morre (se suicida) em um racha. Era também uma lembrança da época do punk rock.


Esse seria o último trabalho do Legião Urbana.


No dia 11 de outubro de 1996, o Brasil, em especial os fãs da banda, acordaram chocados com a notícia de que o poeta, músico e líder do Legião Urbana, Renato Russo, cujo nome de batismo era Renato Manfredini Jr, havia morrido na madrugada vítima de complicações resultantes da AIDS. Era o fim de uma era.

Dias depois, a banda anunciou em uma entrevista coletiva na sede da EMI, que o Legião estava oficialmente terminado. Terminava nesse dia também a trajetória da maior banda de rock do país de todos os tempos, uma banda que era quase uma religião, um estilo de vida para os fãs. Para eles, sobraram as lembranças, saudades e músicas de um tempo onde éramos jovens e inocentes, e tudo parecia que ia mudar no país. Um tempo que agora parece muito distante, perdido mesmo.

Quanto a Renato, seu corpo foi cremado e suas cinzas foram jogadas sobre um jardim florido no sítio do paisagista Burle Max, a pedido do próprio poeta.

Depois da morte de Renato, em 1997 a banda resolve juntar velhas gravações e out-takes do segundo e do último álbuns, que deveriam ser duplos. A EMI lança então o álbum "Uma Outra Estação", o álbum póstumo do grupo, que foi vendido rapidamente (assim como todos os outros álbuns da banda que se esgotaram das lojas após a notícia da morte do poeta).

Quanto as músicas ("Riding Song", "Uma Outra Estação", "As Flores do Mal", "La Maison Dieu", "Clarisse", "Schubert Länder", "A tempestade", "High Noon (Do Not Forsake Me)", "Comédia Romântica", "Dado Viciado", "Marcianos Invadem a Terra", "Antes das Seis", "Mariane", "Sagrado Coração" e "Travessia do Eixão") podemos destacar: Riding Song – A faixa conta com a participação do ex-baixista Renato Rocha, que toca e canta em conjunto com os outros dois integrantes. Renato Rocha, foi encontrado por acaso em um restaurante por Dado Villa-Lobos e decidiram imediatamente entrar em estúdio para gravar. A Tempestade – deveria ser a faixa-título do outro álbum, mas acabou saindo somente neste. Clarisse - É uma música autobiográfica, que retrata Renato Russo na pele de uma menina de 14 anos. É também uma das músicas mais compridas do grupo, com mais de 10 minutos, e por fim Sagrado Coração – a música é só instrumental, pois Renato não teve tempo de gravar os vocais.

O que podemos esperar do futuro da banda ? Como o grupo tinha renovado um contrato para lançar três álbuns em 5 anos, podemos esperar ainda um disco com gravações ao vivo, e home-videos com gravações de show. Também havia a intenção de se gravar um disco tributo com vários artistas convidados, de Nação Zumbi a Max Cavalera, mas o projeto, inicialmente sugerido por Fê Lemos (ex-capital inicial e ex- aborto elétrico) foi rejeitado porque era claramente uma auto-promoção do músico que ressurgiu das trevas depois da morte do ídolo.

A única certeza que temos para o futuro é que os fãs jamais se esquecerão do trabalho genial do grupo, que estará sempre em nossa memória. Força Sempre.


Fonte: Rodrigo Freitas


Elvis Presley


Embora sem o nome de rock ‘n’ roll ainda, o rhythm and blues foi uma música que surgia nos anos quarenta, embora suas raízes sejam mais antigas do que o mercado escravo que trouxera os primeiros imigrantes forçados da África para as Américas. Foi, porém, nos anos cinqüenta que essa música passou a atrair cada vez mais atenção de jovens brancos. E este interesse, e todos os tumultos e convulsões sociais que seriam provocados é o que reconhecemos como a história do rock ‘n’ roll. E no topo desta montanha, um nome é repetido por todos os demais que começaram embalados por ele. Este nome é Elvis Presley.

Elvis Presley

Sem Elvis Presley não haveria Beatles e sem Beatles todo o rock inglês seria diferente e provavelmente restrito à Inglaterra. Sem Elvis não haveria Carl Perkins, Jerry Lee Lewis, Buddy Holly ou Gene Vincent. Sem Elvis, o rock provavelmente teria sido apenas uma música americana. Porquê? Porque até o surgimento de Elvis, todo mau comportamento era restrito aos negros. E dentro desta lógica racista, música negra era música pagã, portanto tabu e pecado. Elvis, ao rebolar e se portar instigantemente sexual, atropelou o grande tabu anglo-saxão protestante (sexo). Ao fazer sucesso com isso permitiu o apoio comercial que foi decisivo na evolução do estilo musical, e no processo deu passe livre para mais de uma geração artística seguir o mesmo caminho.

É impossível negar que grande parte do material produzido por Elvis Presley depois da década de cinqüenta, é em termos de rock ‘n’ roll, de qualidade duvidosa, senão medíocre. No entanto, sua carreira foi importante demais para seus trabalhos menos inspirados terem alguma relevância. Considere os seguintes fatos:

Nenhum outro artista tem um número maior de canções a entrar nas 100 Mais nas Paradas de Sucesso dos Estados Unidos. São 149 hits dos quais 114 ficaram entre os 40 Mais, 40 ficaram entre os 10 Mais e 18 chegando a No.1. Estes 18 conferem a Elvis o gabarito de ser o artista de segundo maior número de hits a chegar a No.1, perdendo apenas para os Beatles com 21. Elvis empata com The Supremes com 10 hits consecutivos a chegar a No.1; recebeu o maior número de Discos de Ouro, 81 contra 42 de Barbara Streisand e 41 dos Beatles; e Discos de Platina, 43 contra 26 dos Beatles. Elvis tem o segundo maior número de discos Multi-Platinados, 19, perdendo para os Beatles com 24 e seguido de longe por Led Zeppelin com 13.

Todas essas estatísticas são referentes ao mercado americano, segundo a Billboard, e são todos números realmente impressionantes se tratando mesmo daquele mercado tão vasto. Mas se forem englobadas vendas ao redor do mundo, as cifras são estimadas na casa dos bilhões de discos vendidos.

Agora chega de apresentações, vamos então à historia deste que é para alguns, o Rei do Rock ‘n’ Roll.

Foi em Tupello, Mississipi, no dia 8 de janeiro de 1935, que Vernon Elvis Presley e Gladys Love Smith Presley viram pela primeira vez seus filhos gêmeos, Jessie Garon Presley e Elvis Aaron Presley. Em um parto caseiro, a alegria foi tingida por tristeza ao verificarem que Jessie deixara o ventre de sua mãe já morto.

O menino Elvis Aaron Presley cresceu em uma casa bem humilde de dois cômodos construída pelo pai e seu irmão. Por treze anos ele cresceu junto aos tios, primos e avós, todos morando relativamente perto um do outro. Familia temente a Deus, Elvis é fortemente influenciado pela conduta da igreja, a Assembléia de Deus, mesma de seus pais. Os cânticos da igreja, assim como a música negra das ruas que ele ouvia, serão absorvidos pelo menino.

Tanto que aos dez anos de idade, em uma das muitas feiras que eram realizadas anualmente na região, a ‘Mississippi-Alabama Fair and Dairy Show’, Elvis Presley tira segundo lugar em um concurso de talentos ao cantar “Old Shep” de pé em um banco para poder alcançar o microfone. As apresentações daquele concurso foram transmitidas ao vivo pela estação WELO Radio e portanto, este pode ser considerado o ‘debut’ de Elvis no rádio. Seu premio foi de $5 dólares e voltas gratuitas em todos os brinquedos da feira.

No ano seguinte, Elvis quer uma bicicleta mas sua família não tem meios de pagar por uma. Então sua mãe lhe convence a aceitar um violão no lugar. O instrumento custou $12.50. Aos treze anos de idade, Elvis se despede de sua escola, a Miliam Junior High School em Tupello com uma apresentação para a classe tocando o violão e cantando a canção “Leaf On A Tree.” Sua família se muda para Memphis, Tennessee, em busca de melhores oportunidades e condições de vida. Outros parentes da família Presley e da família Smith seguirão essa jornada. Elvis estuda só até terminar o Segundo Grau no L. C. Humes High School, onde se forma em 1953.

Vivendo em Memphis, ele cresceu em contato direto com os músicos de rua negros na hoje decantada Beale Street, local onde surgiram nomes como Bobby Bland, Johnny Ace e BB King. Além do country que tocava nas rádios ele passa a frequentar as festas para brancos e pretos que acontecem na cidade. Lá Elvis entra em maior contato com gospel e a música negra em geral. Destas influências para a sua futura e inesperada carreira, destaca-se necessariamente Wynonie Harris, o homem que gravou a versão original de “Good Rockin’ Tonight”. Quando Elvis passou a rebolar o seu pélvis de forma tão instigante, ele nada mais fazia do que imitar o negro Wynonie Harris, que vira tantas vezes ao vivo.

Trabalhando desde a adolescência para ajudar os pais no orçamento caseiro, Elvis logo se mostrou diferente da maioria dos outros meninos. Gostava de deixar o cabelo crescer mais comprido do que o costume para os padrões da sua época. Ele fazia um topete e usava suas costeletas largas e compridas.

Diferente do que se costuma contar, Elvis não era um caminhoneiro quando em junho, ele resolveu parar na Memphis Recording Service para ver como sua voz soava em um disco. Ele trabalhava para Parker Machinists Shop, seu primeiro emprego depois de deixar a escola. Na M.R.S. ele gravou duas canções, "My Happiness" e "That’s When Your Heartaches Begin." A empreitada lhe custou $4 dólares e Elvis presenteou o resultado a sua mãe que apesar de aniversariar em abril, recebeu o acetato como sendo um segundo presente de aniversário.

The Memphis Recording Service produzia discos para o selo Sun e era extra oficialmente chamado de Sun Studios, um nome que só ganharia oficialmente muitos anos depois. Quem cuida desta histórica sessão é Marion Keisker, assistente do dono Sam Phillips que não está presente nesta ocasião, viajando promovendo outro artista. Marion vê neste rapaz, tanto em aparência quanto em voz, um talento que poderia interessar seu patrão. Sam Phillips era um homem que há anos gravava artistas negros, responsável por inúmeros discos clássicos de blues e rhythm and blues. Phillips dissera em certa ocasião que se encontrasse um rapaz branco que pudesse soar como um negro, ele ficaria rico.

Em setembro Elvis mudaria de emprego, trabalhando por algumas semanas para The Precision Tool Company e depois como motorista de um caminhão de entregas da Crown Electric Company. Foi então em janeiro de 1954 que Elvis estacionava o seu caminhão na frente da Memphis Recording Service com intuito de gravar outro acetato. Desta vez, Sam Phillips está presente. Segundo algumas versões, seria somente no verão (junho) de 1954 que Marion sugere a Sam a hipótese de que aquele rapaz poderia ser o menino de voz negra de seus sonhos. Phillips acaba convidando Elvis para uma sessão de teste e lhe dá a canção "Without You" para cantar. O resultado não lhe satisfaz, contudo uma das razões que faz Sam Phillips ser um ótimo produtor é sua habilidade de fazer o artista se sentir à vontade no estúdio. Sam então lhe pede para tocar e cantar o que quisesse e o menino passeia por um repertório basicamente de música popular da época. Nada desta sessão foi aproveitado, porém deixou Sam Phillips ainda interessado.

Foi no dia 3 de julho de 1954 a histórica sessão que deu início em sua carreira. Phillips chamou dois músicos de estúdio que já trabalharam com Sam em outras tantas ocasiões. São eles Scotty Moore na guitarra e Bill Black no baixo. Novamente a sessão estava rendendo poucos resultados e durante uma parada para descanso, Elvis passou a cantar sem pretensões “That’s Alright Mama.” Conta a lenda que Sam Phillips pulava de alegria enquanto gritava “É isso, é isso que eu quero!” “That’s Alright Mama” e “Blue Moon of Kentuckey” se torna o primeiro compacto de Elvis Presley pela Sun Records e vendeu razoavelmente bem.

O disco passou a ser tocado em estações de rádios de música negra, onde os ouvintes eram basicamente negros. Portanto, é natural supor que os primeiros compradores deste compacto fossem negros pensando ironicamente se tratar de um artista negro. Porém, bastou Elvis começar a falar, em uma entrevista feita em uma dessas visitas promocionais a estação de rádio, para logo se perceber que se trata de um rapaz branco.

Elvis, Scotty e Bill formam uma banda, The Hillbilly Cat And The Blue Moon Boys, fazendo apresentações variadas em pequenos bares e clubes da cidade e da região. Em outubro daquele ano, após uma apresentação na estação de radio KWKH Radio na cidade de Shreveport, no estado de Louisiana, conseguem um contrato de um ano para cinqüenta e duas aparições todos os sábados à noite na cidade de Hayride. Este é até o momento, sua maior oportunidade como artista, porém com sua popularidade crescendo, o contrato acaba impedindo ele e a banda de viajar muito longe. É em Hayride que Elvis Presley conhece o Coronel Tom Parker.

Tom Parker é um ‘promoter’ e um empresário de artistas de sucesso como Hank Snow e Eddy Arnold, ambos estrelas de country music. O fato de Parker se interessar por Presley é uma razão de grande status para este jovem rapaz. Mas Elvis acaba assinando um contrato com o empresário Bob Neal em janeiro de 1955. Neal coloca Elvis e sua banda em uma excursão junto com artistas de Tom Parker, e organizado por ele. Para esta excursão, o baterista D.J. Fontana é adicionado ao grupo. Observando a reação do público feminino para Elvis, que rebola e incendeia o público, a ponto de sair brigas entre a multidão, Parker cada vez mais se interessa pelo rapaz.

Em agosto de 1955, Elvis assina um contrato com a Hank Snow Attractions que passa a empresariá-lo, com Bob Neal permanecendo apenas como um conselheiro. A Hank Snow Attractions pertence igualmente a Hank Snow e Tom Parker. Em menos de dois meses, Hank Snow está sem nenhuma participação no contrato com Elvis que pertence agora exclusivamente ao Coronel Parker. Uma das suas primeiras providências foi de negociar um contrato com um selo de maior porte do que o pequeno Sun Records.

Habilmente colocando as gravadoras Mercury, Atlantic, Decca e Columbia uma contra as outras, em um leilão pelo contrato de Elvis Presley, Parker acaba acertando com a RCA. Neste acordo, a RCA compra todo o catálogo de Elvis na Sun Records, o que inclui os cinco compactos mais o material que ainda não fora lançado. O valor desta operação rendeu ao Sam Phillips o valor extraordinario de $40.000 dólares, além de $5.000 como uma porcentagem para o bolso de Elvis. Como Elvis sequer tem vinte e um anos ainda, o contrato tem que ser assinado pelo seu pai, Vernon Presley.

Enquanto RCA relança o material recém-comprado da Sun, agora saindo nacionalmente pelo selo RCA, Parker acerta para Elvis um contrato com a Hill and Range Publishing Company. Segundo este acordo, é criada a Elvis Presley Music Inc., na qual Elvis recebe uma porcentagem dos direitos autorais de todas as canções que Hill e Range lhe trouxerem para gravar. Em outras palavras, mesmo não sendo compositor de nenhuma das canções que canta, Elvis recebe uma porcentagem dos direitos autorais que caberia a Hill and Range Publishing.

Aos vinte e um anos, Elvis Presley tem um dos melhores contratos no país com uma gravadora e com uma editora, um feito extraordinário graças a boa negociação do Coronel Tom Parker. Ele grava então no dia 10 de janeiro de 1956 seu primeiro compacto para o seu novo selo, “Heartbreak Hotel.” A RCA colocou o grupo The Jordanaires como sua nova banda. O compacto vendeu 300.000 cópias em três semanas, um marco que comprovou rapidamente que o investimento da RCA em Elvis Presley foi lucrativo.

Em 28 de janeiro de 1956, Elvis estréia em cadeia nacional, aparecendo no programa “Stage Show”, da CBS, produzido pelo ator e comediante Jackie Gleason e estrelando Tommy e Jimmy Dorsey. Até março, ele terá feito seis participações no programa e criado uma pequena sensação ao redor do país em torno de seu nome. A esta altura “Heartbreak Hotel” já vendera um milhão de cópias e se tornara o primeiro Disco de Ouro desta nova sensação. RCA lança então "I Forgot to Remember to Forget" que igualmente chega a No. 1 nas paradas de sucesso country. Seu primeiro álbum: Elvis Presley, igualmente chega a um milhão de discos vendidos se tornando igualmente um Disco de Ouro.

Em abril de 1956, Elvis faz um teste para Paramount Studios em Hollywood, para o filme The Rainmaker onde ele faz mímica ao som de "Blue Suede Shoes" em playback. Apesar de acabar sendo rejeitado para este filme, Paramount fecha um contrato de sete anos com ele para estrear em uma série de películas, acreditando no poder de atração do jovem revelação.

Suas apresentações causam cada vez mais histeria entre o público feminino, graças aos seus rebolados e atitudes sexuais no palco. As invasões por vezes obrigam organizadores a encerrarem cedo o espetáculo com medo de alguém sair ferido. Em meio a isto, durante uma apresentação no programa de televisão The Milton Berle Show, Elvis apresenta uma versão de “Hound Dog” que acaba chocando a parte mais puritana dos Estados Unidos. Motivo de controvérsia, Elvis se torna ainda mais atraente para os jovens.

A controvérsia cria o apelido, Elvis The Pelvis, o que irritaria o artista que chamaria esse nome de a maior criancice que ele já tenha ouvido. Tentando apagar um pouco o fogo de sua instigante apresentação no mês anterior, Elvis aparece no Steve Allen Show vestido de fraque novamente cantando “Hound Dog”, desta vez de forma menos instigante e para um bassê. Idealizado por Steve Allen, Elvis considerou a jogada publicitária ridícula, mas aceitou, na esperança de acalmar certos grupos religiosos que o classificam como amoral.

No fundo, toda esta controvérsia se torna lucrativa para o cantor quando Ed Sullivan lhe oferece o valor absurdo de $50.000 dólares por três apresentações em seu programa. Sullivan que não gostava dos rebolados ofensivos deste artista, aceitou tê-lo no seu programa dado aos índices que se registravam cada vez que Elvis aparecia em algum programa. Para não ofender seu público, Sullivan instruiu sua equipe a partir do terceiro programa, de filmá-lo apenas da cintura para cima. Cartas inundaram o escritório no dia seguinte de jovens reclamando que queriam assistir o ‘verdadeiro’ Elvis em seu programa.

Em agosto de 1956 ele começaria as filmagens para o seu primeiro filme, “The Reno Brothers.” O filme é da Twentieth Century Fox que aluga o seu contrato com a Paramount. Durante a filmagem, houve um acordo e foi adicionada uma cena onde Elvis cantaria seu próximo lançamento, “Love Me Tender.” Com clara intenção de capitalizar no que julgam corretamente ser um hit certo, o filme passa a se chamar “Love Me Tender.”

Elvis retorna a Tupelo onde nascera para o que passa a ser chamado Elvis Presley Day, no dia 26 de setembro de 1956. Lá ele faz duas apresentações durante o Mississippi-Alabama Fair and Dairy Show, o mesmo que disputara o concurso de talentos ainda com dez anos de idade. Elvis se tornara grande sensação em todo o país e ao final daquele ano, estatísticas comprovam que Elvis Presley havia vendido cerca de $22 milhões de dólares em produtos variados que levavam o seu nome. Não só discos, como também camisetas, chapéus, carteiras, bolsas, batom, perfume, cintos, roupas, revistas, cachorrinhos de pelúcia, canecas, pratos, canetas e mais.

Entre apresentações pelo país e aparições na televisão, Elvis se tornara a maior sensação jovem do mercado. Seu estilo particular misturando country e pop branco com rhythm and blues e gospel dos negros, aleados ao seu carisma pessoal e talento natural lhe transformam em símbolo do jovem americano moderno. Entre 1956 e 57, como uma figura nacional, Elvis Presley já terá feito o suficiente para ser considerado um ícone cultural de sua geração. A música, assim como os costumes nunca mais serão os mesmos e embora essas mudanças não tenham sido violentas como as iniciadas pelos Beatles na década de sessenta, são radicais o suficiente para atrair jovens para música negra, o que acabaria sendo o principal fator para a criação de bandas como os Beatles, para início de conversa.

O ano de 1957 começa com as filmagens de seu segundo filme em janeiro e seu terceiro filme em maio. Elvis se apresenta três vezes no Canadá, suas únicas apresentações fora dos Estados Unidos, e compra Graceland em Memphis para ele, seus pais e sua avó morarem. Faz a primeira doação para o Elvis Presley Youth Recreation Center, um Centro de Recreação para Jovens em Tupelo, Mississippi. O terreno do Centro inclui a casa onde Elvis havia nascido. Elvis fará substanciais doações para este centro pelo resto de sua vida, doações que continuarão até o presente, mantidas pelo Elvis Presley Estate. A casa onde Elvis nasceu é hoje um museu para visitações do publico, mantido pelo Centro.

Em outubro de 1957 estréia “Jailhouse Rock”, seu terceiro filme rodado em maio. Além do sucesso da canção, o filme é facilmente seu melhor trabalho como ator, perdendo apenas para “King Creole” rodado no ano seguinte antes de Elvis servir o Exército. Clássico do cinema rock ‘n’ roll, a cena dançante onde se canta a canção título é para muitos, o padrão copiado para muitas cenas musicais posteriores no meio rock. Será também, segundo alguns, o molde para o que passaria a ser chamado filmes promocionais de rock na década de sessenta, e que mais tarde ganharia o nome de vídeos musicais nos anos oitenta.

Elvis e família se mudam para Graceland em dezembro e antes do Natal, Elvis é chamado para servir o Exército. Entre janeiro e março de 1958, Elvis filma “King Creole” e se apresenta ao vivo pela ultima vez antes de servir. Serve inicialmente em Fort Hood no Texas onde recebe treinamento básico por seis meses. Neste ínterim, sua mãe Gladys fica doente com hepatite e morre em 14 de agosto de 1958, aos 46 anos.

Depois de chorar a perda da mãe e retornar para seu posto em Fort Hood, Elvis é transferido para Friedberg na Alemanha onde permanecerá por 18 meses. Chega a conhecer Munich e até Paris durante algumas folgas. Durante seu período na Alemanha, Elvis conhece a enteada do Coronel Joseph Beaulieu, a menina Priscilla Ann Wagner, então com apenas 14 anos. Seu pai era James Wagner, um piloto da marinha que morreu em um acidente de avião, e sua mãe Ann casaria, pela segunda vez, com o Coronel Joseph. Voltariam a se ver mais vezes nos Estados Unidos.

Enquanto isto, Coronel Parker garante que a carreira de Elvis continue em evidência autorizando uma serie de coletâneas lançadas pela RCA. Elvis deixaria o Exército em março de 1960 com a patente de sargento. Ele chega aos Estados Unidos e imediatamente é obrigado a dar longas entrevistas. Frank Sinatra coloca sua filha Nancy Sinatra para recebê-lo e lhe dar as boas-vindas em nome da juventude americana, uma jogada promocional que teve boa repercussão na epoca. No mês seguinte, ele volta aos estúdios e depois começa a rodar o seu quinto filme, “GI Blues.”

Elvis ainda faz duas apresentações ao vivo antes de dedicar sua carreira exclusivamente para filmes. Elvis quer realmente ser um bom ator e leva sua carreira de cinema a sério. No entanto, os roteiros de filmes aceitos pelo Coronel Parker e dados ao Elvis são sempre de produções simplórias visando claramente explorar a sua figura popular sem nenhuma consideração real para dramatização ou expectativas para alguns ou algum prêmio Oscar.

Mantendo Elvis ocupado com filmes simples, às vezes três em um ano, acoplado de discos em torno da trilha-sonora e discos natalinos, o Coronel garantiu uma mina de ouro anual sem maiores esforços para ele ou o seu artista. Neste ponto, o trabalho de Tom Parker foi lúcido e benéfico. No entanto, artisticamente, Elvis havia morrido como uma figura representativa para o jovem. E isto ficou ainda mais óbvio após a chegada à América do fenômeno Beatles e toda a invasão Britânica que se seguiu.

A década de sessenta na carreira de Elvis Presley é marcado pela super-exploração do mito, forçado a gravar cada vez mais músicas, nem sempre primando pela qualidade, ao mesmo tempo que lançava filmes e compilações de seus maiores sucessos. Todos estes discos e filmes vendem bem. A voz de Elvis Presley é soberba e sua dedicação a cada trabalho que leva o seu nome é total. Apenas não se trata mais de rock ‘n’ roll, Elvis estando claramente fora do que está acontecendo na música contemporânea. Seu material é para os pais e não mais para os filhos e filhas.

Após um namoro discreto, Elvis Presley casa com Priscilla dia 1 de maio de 1967 em Las Vegas. Entre uma rápida lua-de-mel em Palm Springs e os toques finais no filme “Clambake”, o casal se muda para Graceland onde vestidos à caráter, performam outra cerimônia de casamento para amigos e parentes que não puderam estar presente ao verdadeiro. Dia 1 de fevereiro de 1968 nasce Lisa Marie Presley, filha única do casal. Coincidência ou não, são nove meses exatos desde a data do casamento.

A exceção acontece em 1968 quando Elvis retorna para o palco depois de quase sete anos e faz uma apresentação filmada do que pode ser considerado o que há de melhor em rock/rockabilly. Trazendo de volta sua antiga banda com Scotty Moore e DJ Fontana, (Bill Black já havia falecido) mais the Jordanaires e outros músicos profissionais, abriu um espaço no set para ele mesmo tocar o violão fazendo o que hoje costuma se chamar de um set Unplugged ou Acústico. O filme, chamado simplesmente de ELVIS, foi gravado entre 27 e 30 de junho. O filme também pode ser encontrado pelo nome The 68 Special ou 68 Comeback.

Apesar das ótimas criticas e sucesso geral da empreitada, Elvis não seguiu o bom momento com uma excursão americana de grande porte, o que seria provavelmente a melhor manobra. No lugar, o Coronel preferiu fixar as atenções do Elvis para terminar o seu contrato cinematográfico que foi encerrado em 1969. Elvis estava mais do que frustrado com a forma com que Hollywood encarava sua carreira de ator. Uma vez terminado o contrato, Elvis só queria saber de uma coisa; tocar ao vivo novamente.

Elvis então acerta um contrato para tocar em Las Vegas, inaugurando um cassino dentro do International Hotel, em um contrato milhonário. Em apresentações com banda, orquestra (conduzido por Bobby Morris) e cantores de gospel masculino (The Imperials) e femininos (The Sweet Inspirations) fazendo backing, Elvis de roupa de palco branca inicia em julho de 1969 e continua pela maior parte da década de setenta como atração de cassino em temporadas ao vivo em Las Vegas que duravam geralmente um mês. A primeira temporada no International Hotel acaba rendendo o primeiro álbum ao vivo de Elvis, “Elvis in Person at the International Hotel.” Em setembro deste ano, Elvis consegue com a canção “Suspicious Minds” seu primeiro hit desde 1962. É também seu último grande sucesso na parada.

Após uma série de apresentações no Texas em 1970, especulava-se muito sobre a primeira excursão americana de Elvis desde a década de cinqüenta. O que surgiu foi uma pequena excursão em nove cidades que foi filmado e teria momentos apresentados no filme “Elvis - That’s The Way It Is”. Depois de uma pausa para gravações em Nashville, Elvis retorna a excursionar por oito cidades. Elvis retornaria para outra temporada de um mês em Las Vegas, novamente no International Hotel que depois de 1971 passaria a se chamar The Las Vegas Hilton International Hotel. Para aguentar a maratona de shows e gravações, Elvis passa a consumir avidamente medicamentos, antidepressivos, moderadores de apetite e anfetaminas.

Elvis é diagnosticado, ainda em março de 1971, com glaucoma. Lentamente durante a década de setenta, vai surgindo a figura de um artista decadente, gordo, parado no palco, lembrado praticamente apenas pelas baladas românticas e tendo abandonado seu estilo inicial. Porém durante todos estes anos, Elvis está seguidamente recebendo troféus e placas em homenagem aos seus feitos e sua importância para a indústria fonográfica e indústria de entretenimento em geral. Suas temporadas em Las Vegas atraem mais público para a cidade e quebram seguidos recordes de audiência com shows constantemente lotados.

Depois de uma terceira excursão visitando doze cidades em final de 1971, Priscilla Presley deixa Graceland com sua filha Lisa Maria. A separação será publicamente conhecida a partir de julho de 1972, no entanto o divórcio só será assinado em outubro de 1973. Elvis e Priscilla continuarão se comunicando como amigos e Lisa Maria terá contato com o seu pai sempre que ele deseja. Elvis passa a morar com Linda Thompson em julho de 1972. Durante o ano de 1972, Elvis excursiona por praticamente todo o seu país e emplaca um hit com “Burning Love” que chega a No.2 nas paradas americanas.

Ele encerra o ano se apresentando em Honolulu onde em janeiro ele volta a se apresentar, desta vez em um show com transmissão via satélite, ao vivo, para todo o Havaí, Austrália, Coréia do Sul, Vietnã do Sul, Japão, Tailândia e Filipinas. Um vídeo do show mais tarde seria apresentado em diversos países da Europa, assim como também, dentro dos demais estados dos Estados Unidos. Este, para muitos é o último grande momento de Elvis, ainda em boa forma.

Em março de 1973, Elvis e o Coronel vendem suas partes dos direitos autorais sobre todo o seu catálogo para a RCA, antes de seguir para uma outra seqüência de mini excursões pela América, agrupados em oito cidades, cada. No meio do ano, Elvis é hospitalizado com problemas na pleura, colo, hepatite e pneumonia. Sua dependência por medicamentos aumenta em proporções perigosas. Sua rotina passa a ser excursões, temporadas em Las Vegas, sessões de gravações em Nashville e passagens pelo hospital por problemas relativos a abusos com medicação.

Em novembro de 1976, infeliz com a maneira que ele anda levando sua vida, Linda Thompson deixa Elvis Presley, segundo ela porque não queria estar por perto quando ele morresse. No mesmo mês, Elvis a substitui com a jovem Ginger Alden. Elvis passa o restante do mês de novembro excursionando. O ano de 1977 inicia no mesmo ritmo de sempre, com pausa entre excursões para temporadas no hospital. Três apresentações em junho serão gravadas pela RCA e filmados pela CBS visando álbum e especial televisivo que irá ao ar apenas em outubro.

Em Graceland, véspera de retornar para a estrada com show marcado em Maine para o dia seguinte, Elvis Presley morre dia 16 de agosto em 1977 de um ataque cardíaco no banheiro de sua casa. A necrópsia revelou a ingestão de oito ou mais drogas (entre outras morfina, valium e valmid), responsáveis por sua morte. Ao redor do mundo as manchetes principais em praticamente todos os jornais de importância registravam o fato que “o Rei Morreu”.

Fonte: Márcio Ribeiro (Creedance)


Chuck Berry


Embora muitos artistas tenham gravado música em titulada de rock and roll antes dele, Chuck Berry é considerado o pai do mesmo por ter acrescentado à música a sua atitude. Mais do que tocar rock Chuck Berry criou um estilo com suas letras e presença de palco que viriam a ser influência de todos dali para frente. Sua letras eram simples e falavam do cotidiano de seus ouvintes, garotas, carros e conflitos de geração; foi o primeiro compositor de rock a pregar o amor como diversão e sem maiores compromissos.

Charles Edward Anderson Berry nasceu a 18 de outubro de 1926 em St. Louise, Missouri. Cedo se iniciou na música, participando de corais evangélicos, influenciado pelo pai pastor protestante. Curiosamente apenas em 1940 Berry teve seu primeiro contato com uma guitarra, pouco antes de passar uma temporada em um reformatório juvenil por furto. Após sair do reformatório Berry havia se desinteressado da música, trabalhou alguns anos em uma fábrica de automóveis e por pouco não se tornou cabeleireiro profissional. Apenas em 1946 voltou a tocar.

Em 1952 tocava profissionalmente em uma banda de estilo blues-country. A medida que o guitarrista se destacava como atração principal dos palcos onde tocava o nome do grupo foi mudado para Chuck Berry Combo. Participavam da banda Johnnie Johnson (o homenageado oficial da música Johnny B. Goode) e Eddie Hardy (baterista).

O destino sorriu para Berry na figura de Muddy Waters, antigo ídolo e sua principal influência. Waters recomendou a Berry que procurasse a Chess Records para gravar um single. Com o apadrinhamento de Muddy Waters poucas semanas depois Chuck Berry Gravou (com Willie Dixon no piano) duas músicas. Ida May (pouco mais tarde regravada como Maybellene) e Wee Wee Hours.

O single chegou ao número 5 nos Estados Unidos. Era o começo do sucesso. Menos de um ano após isto Berry já vendia mais discos que todo o staff da gravadora Chess somado. Os maiores sucessos de Berry provém deste início de carreira, músicas como Johnny B. Goode (em homenagem a Johnnie Johnson conforme foi dito mas também auto-biográfica), School Day's (fartamente coverizada até hoje), Roll Over Beethoven, entre outras. Berry era ainda um dos poucos astros do rock de então que podiam se vangloriar de tocar a maioria das músicas de sua própria autoria.

Boa parte do sucesso se deveu à incrível presença de palco. Mais do que cantar Berry tocava guitarra como um demônio, gesticulando, correndo e fazendo o seu clássico "duck-walk". Era mais do que um cantor, músico ou poeta. Chuck Berry foi o primeiro artista de rock completo.

No início da década, com sua vendagem em declínio, embora mantendo a mesma energia e qualidade, Chuck Berry foi levado a juri, condenado e preso por sedução de menores, acusado de molestar uma garota de 14 anos. Condenado a 3 anos de cadeia, parecia ser um triste fim para sua carreira, o que não ocorreu. Bandas claramente inspiradas por Berry, como BEATLES e Rolling Stones despontavam, gravando covers do ídolo e mantendo a chama acesa.

No início da década de 70, após um longo período longe dos palcos e imprensa Berry fez sua volta triunfal, com shows por toda a América e Europa, voltando às paradas com o single My Ding a'Ling, embora obviamente nunca tenha alcançado novamente o sucesso da década de 50.

Em 1990 Berry foi novamente preso sobre acusação de ter instalado uma micro-câmera no banheiro feminino de seu restaurante. Em uma batida realizada em sua casa foram achados, além dos vídeos, drogas e armas.