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sexta-feira, 28 de março de 2014

003-06 Pop-Rock


Não há o que discutir: o rei foi e ainda é Elvis Presley (1935/1977), e o segredo de sua imortalidade, além do talento e do carisma, é o mesmo dos Beatles: ecletismo e versatilidade. O próprio Elvis não gostava muito de ser chamado de "Rei do rock"; afinal, ele era fã de cantores pop como Dean Martin, de baladonas pop e de gospel, mas era capaz de transformar qualquer coisa - canções napolitanas ou alemãs, habaneras, bossa-nova - em rock and roll.

Obviamente, todos esse gêneros são subdivisões do rock and roll, e nenhum é camisa-de-força. A própria Billboard já tinha a esta altura três paradas de sucesso, pop, country e r and b, havendo muito "crossover", ou seja, gravações de um gênero agradavam público de outro gênero. Um exemplo berrante (não literalmente) é "Ain't That A Shame" de Fats Domino emplacar na parada de r and b - mas na versão branquela de Pat Boone! Mais edificante é "Hound Dog" de Elvis, que alcançou o primeiro lugar nas três paradas.

E onde mais, além do rock and roll, pode-se encaixar (ou restringir) roqueiros como Little Richard (nasc. 1935), Chuck Berry (nasc. 1926), Bo Diddley (nasc. 1928), Roy Orbinson (1936/1988), Esquerita (1934?/1986)? Não seja esse o problema; no fim é tudo rockabilly, ou r and b, ou rock and roll.


No próximo post você verá Anos 60...


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003 Anos 50


Mito do rock no 1: "Rock é música exclusivamente de jovens para jovens." Mas que potoca! É verdade que o carisma e a pouca idade de Elvis, os Beatles, os Stones e outros ajudaram muito a motivar o público jovem a prestigiar discos e shows, mas é verdade também que:

1) Devido às origens blues do rock, muitos garotos ingleses mal saídos da adolescência nos anos 60 dedicavam-se conscientemente a, como resumiu um crítico americano, "imitar negros que passaram os últimos 35 anos na prisão".

2) Pioneiros do rock como Chuck Berry e Bill Haley não eram tão jovens assim. Berry compôs "Jonny B. Goode" quando ele mesmo já tinha duas vezes "sweet little sixteen". E Bill Haley foi descrito na capa de um de seus LPs de 1956 como "dinâmico músico de apenas 30 anos de idade". Sem falar de Bill Wyman, que ao entrar nos Stones era um ancião de 26 anos. E por falar em Bill Haley, um dos autores de "Rock Around The Clock" estava na fina flor dos 63 anos de idade.

3) No início, o rock and roll era apenas um ritmo entre muitos outros, não apresentando dificuldade para cantores ou compositores ecléticos. No Brasil, a primeira pessoa a gravar um rock foi a cantora Nora Ney, em 1955, aos 32 anos - era "Rock Around The Clock". Um dos clássicos do rock feito no Brasil, "Rua Augusta", é de um jovem de 50 anos, Hervê Cordovil (1914/1979), versátil o bastante para ter composto em parceria com Noel Rosa e Lamartine Babo. Pobre Pete Townshend (nasc. 1945), que até hoje se diverte quando lhe jogam na cara sua frase "I hope I die before I get old", que lançou com o Who em "My Generation", de 1965.

Enfim, no rock, como em toda a música popular, o que importa é a juventude de espírito; não importa se você é criança-prodígio, como Brenda Lee (seu primeiro disco dizia "9 anos de IDADE"), Frankie Lymon ou Michael Jackson, ou um veteraníssimo; há até quem diga que o rock deveria ser proibido para menores de 40 anos.

No início da década de 50, com o final da Segunda Guerra Mundial e da Guerra da Coréia, os Estados Unidos despontavam como grande potência mundial. Mais do que em qualquer outro momento da história era incentivado o gozo da vida, marcada que estava a sociedade pelos anos de sofrimento da guerra. A população de maneira geral e inclusive as minorias pela primeira vez tinha dinheiro para gastar com supérfluos como música. Com o anúncio da explosão de bombas atômicas pela União Soviética e um possível "fim do mundo" a qualquer momento, a ordem geral era aproveitar cada momento como se fosse o último.

Numa época de mudanças surgia uma corrente intelectual inédita contrária à antiga política, rebeldia esta refletida na literatura, como no livro O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D. Salinger, mas mais notadamente no cinema com a glorificação da antítese dos antigos valores em filmes como O Selvagem da Motocicleta (em que Marlon Brando interpreta um delinquente).

Em pleno crescimento econômico capitalista o consumo era considerado fator primordial para geração de empregos e divisas, bem como o melhor antídoto contra o comunismo, e a busca por novos mercados consumidores era incessante. Obviamente a parcela mais jovem da população rapidamente se mostrou mais facilmente influenciável e ao público adolescente pela primeira vez foi dado o direito de ter produtos destinados ao seu consumo exclusivo, bem como poder de escolha.

Estranhamente porém os jovens brancos em grande parte se negavam a consumir a música normalmente consumida pela maioria branca. Começaram a buscar na música dos guetos algo diferente. Com a indústria fonográfica de grande porte não preparada para suprir o público consumidor com este tipo de música ganharam importância selos pequenos de música negra.

A aceitação deste tipo de música pelo público de maior poder aquisitivo levou a incipiente indústria fonográfica da época a investir na evolução do estilo e procura e contratação de novos talentos, principalmente na procura de um jovem branco que pudesse domar aquele estilo aliando a ele uma imagem que pudesse ser vendida mais facilmente. Tornaram-se comuns os relançamentos de versões de músicas dos negros regravadas por artistas brancos, que terminavam por tirar os verdadeiros criadores do estilo do topo das paradas.

O sonho de encontrar um branco capaz de cantar como um negro havia sido realizado por Sam Phillips, de um pequeno selo chamado Sun Records. Em seu início de carreira com o single de Thats All Right e Blue Moon of Kentucky, logo seguido por Good Rockin’ Tonight e I Don’t Care If The Sun Dont Shine, poucos poderiam acreditar que o Elvis Presley que ouviam no rádio era um branco. Obviamente parecia mais saudável à sociedade conservadora e racista aceitar aquele tipo de música vindo de um rapaz com rosto de bom moço. Qualquer boa intenção porém era desmentida pela maneira agressiva e sensual de dançar.

Uma outra grande revolução de costumes estava em curso. Sexo deixava de ser tabu e passava a ser considerado diversão (tanto para o homem como para as mulheres). As canções de amor por pressão do público comprador passavam a dar lugar a letras mais sacanas, embora muitas vezes fosse necessário criar versões atenuadas de versos mais diretos.

A mistura explosiva da empolgante música negra com o consumismo branco adolescente havia sido feita... a explosão era questão de tempo....

Mas quem teria sido o homem que mereceria ser coroado como responsável pela "criação" do rock and roll? Obviamente um estilo musical tão complexo não poderia ter sua invenção atribuída incontestavelmente a apenas um indivíduo ou grupo de indivíduos. Mas se alguém merecesse ter seu nome associado à "criação" do rock como o conhecemos este alguém não seria Elvis ou Bill Haley ou Chuck Berry ou nenhum outro cantor ou band leader. O "inventor" do termo rock and roll e grande responsável pela difusão do estilo foi o disk jokey Allan Freed, radialista de programas de rhythm and blues de Cleveland, Ohio, que primeiro captou e investiu na carência do público jovem consumista por um novo tipo de música mais energética e primeiro percebeu o potencial comercial da música negra.

O termo rock and roll era uma gíria dos negros americanos, referente ao ato sexual, presente inclusive em muitas letras de blues (a exemplo de My Daddy Rocks Me With a Steady Roll da cantora Trixie Smith, de 1922). Allan Freed foi o responsável por usar o nome sonoro para denominar o novo estilo musical em que estava investindo.

Em 1951 Allan Freed criou o programa Moon Dog Show mais tarde renomeado para Moon Dog Rock and Roll Party ao mesmo tempo em que promovia festas de dança com o mesmo nome, movidas inicialmente a blues e rhythm and blues e mais tarde pelo ritmo que havia ajudado a definir e divulgar. Suas festas apesar dos constantes atritos e reclamações por parte das autoridades eram um sucesso. Tumultos lhe valeram dezenas de processos por incitação à violência.

Enquanto a juventude adotava o novo ritmo como sua marca registrada, os adultos, principalmente das parcelas mais conservadoras da sociedade, a taxavam como causa de toda delinquência juvenil... apesar do exagero dos protestos, não estavam de todo errados, o gosto pelo rock era realmente parte do estilo das gangues juvenis.

E quando todos pensavam que nada pior poderia influenciar em tão grande escala a juventude americana eis que um negro, Chuck Berry, sobe às paradas com uma versão para o hit country Ida Red, renomeado para Maybelline (da qual consta o nome de Allan Freed como autor embora este não tenha ajudado na composição). Embora nunca tenha conseguido para si o título que lhe poderia ser devido de rei do rock (usurpado pelo branco Elvis) sua importância nunca foi discutida.

Ainda mais assustadora para os conservadores porém seria a aparição nas paradas de um segundo negro, Little Richard, este ainda por cima afeminado, maquiado e com um penteado no mínimo exótico, cantando em seu primeiro verso o que viria a ser para sempre o grito de guerra mais conhecido do rock and roll, tão indecifrável quanto contagiante... "a wop bop a loo bop a lop bam boom".. a música... Tutti Frutti.

A prova definitiva de que o rock and roll seria a mais lucrativa música de consumo dos próximos anos viria com o pagamento de inéditos 45.000 dólares pelo passe de Elvis Presley (que chegara a ser aconselhado a voltar a dirigir caminhões menos de dois anos antes) para a gravadora major RCA Victor.

Em 1956 enquanto Elvis Presley consolidava seu sucesso com novos hits como Heartbreak Hotel, Blue Suede Shoes (que deveria ter sido lançada pelo seu autor, Carl Perkins, não tivesse este sofrido um grave acidente de carro que o deixou paralisado um ano) e regravações de músicas já consagradas como Tutti Frutti (com Little Richard) e Shake Rattle and Roll (com Bill Haley) tornava-se urgente para outras gravadoras achar artistas que pudessem rivalizar Elvis ou ao menos conseguir alguma repercussão usando de seu estilo.

A Sun tentando se livrar do estigma que a perseguiria de ser apenas a gravadora que descobriu Elvis e o vendeu por (apenas depois isso seria óbvio) uma ninharia, lançava Roy Orbison com Ooby Dooby. Como pianista já tinha em seus estúdios aquele que viria em pouco tempo a ser seu grande trunfo e tentativa mais eficiente de igualar o sucesso de Elvis, Jerry Lee Lewis. A Capitol Records responderia a Elvis com Gene Vincent and The Blue Caps, marcado pelo estilo do vocalista que balançava em torno de sua perna parada (na verdade paralisada em virtude de um acidente de moto) e pelo hit Be Bop A Lula.

Com uma sonoridade um pouco diferente, mais marcada pela música negra de origem, principalmente gospel, começava a despontar o talento de James Brown com o quase soul Please Please Me.

Já sobre o comando do empresário Tom Parker o talento de Elvis era aproveitado também no cinema no filme The Reno Brothers, logo renomeado para Love Me Tender em virtude do grande sucesso da canção tema. Não tardam a aparecer outros filmes com participações de astros do rock, como Rock Around The Clock e Don’t Knock The Rock (apresentando Bill Haley e Allan Freed), The Girl Can’t Help It (Little Richard, Gene Vincent, Eddie Cochran), entre outros. Enquanto isso, na Inglaterra, com algum atraso, o filme Blackboard Jungle levava o rock and roll ao reino unido.

Com o alistamento obrigatório de Elvis Presley nas forças armadas em 1957 o fim do rock and roll foi anunciado pela primeira vez. Afinal o que haveria neste ritmo que o poderia fazer mais durável do que tantos outros como o cha-cha-cha, a rumba, o calipso, o mambo?

Contrariando todas as previsões novos hit makers surgem de onde menos se espera. Se juntando à banda Crickets o até então inexpressivo Buddy Holly, de Nashville, prova com os hits açucarados That Will Be The Day e Peggy Sue que o rock poderia ser domado e usado associado a um bom moço e letras românticas sem segundas intenções.

As esperanças de menos rebeldia e dias mais calmos no radio não se concretizariam, obviamente. Seja por lançamentos como School Days de Chuck Berry (uma ode ao fim das aulas) ou pela explosão tardia de Jerry Lee Lewis com Crazy Arms e Whole Lotta Shakin’ Going On.

Com o ingresso de Elvis nas forças armadas (a despeito de este ter deixado gravado material para dezenas de lançamentos e um filme gravado, King Creole) Jerry Lee Lewis era o candidato natural para seu posto, rebelde, carismático... e branco. Seu apelo ao público era proporcional ao seu ego e Great Balls Of Fire (vídeo que você já viu acima) rapidamente se tornou o sucesso do ano de 1958. Sua carreira viria a derrocar de maneira tão meteórica quanto surgira em virtude de vir a público seu casamento com a prima de 13 anos, Myra Gale Brown, e de ele nem ao menos ter tido o cuidado de desmanchar um de seus casamentos anteriores, sendo portanto um bígamo, o que era demais para a sociedade da época.

Em 1958 se vê ainda Chuck Berry lançar dois dos maiores clássicos do rock de todos os tempos, Sweet Little Sixteen (sim, sobre garotas adolescentes) (vídeo que você já viu acima) e Johnny B. Goode (quase auto biográfica). O Rock bonzinho e romântico por sua vez reage com All I Have To Do dos Everly Brothers. James Brown lança seu primeiro grande hit, Try Me.

O ano negro de 1959 começou marcado pelo acidente de avião que em janeiro, em Clear Lake, Iowa, matou Buddy Holly, Big Booper e o recém descoberto chicano Ritchie Valens (do sucesso La Bamba). Após uma apresentação conjunta durante uma mal-sucedida turnê de inverno chamada Winter Dance Party, o avião que transportava o grupo de uma cidade para outra, em meio a uma tempestade de neve e com um piloto inexperiente, caiu pouco após a decolagem, não deixando sobreviventes.

A década termina com Chuck Berry sendo preso por cruzar uma fronteira estadual com uma prostituta (que teoricamente havia sido contratada para trabalhar em um clube de sua propriedade em Saint Louis). Seu grande crime obviamente era ser negro em uma sociedade racista e ter alcançado tanto sucesso. Berry foi julgado e condenado a dois anos de cadeia.

Os fatos citados acima eram emblemáticos e fáceis de notar mas os problemas do rock não se reduziam a estes. O estilo estava gasto em virtude da superexposição e mesmo grandes nomes como Carl Perkins e Jerry Lee Lewis estavam tomando o caminho mais lucrativo do country. Elvis Presley, de volta de seu serviço nas forças armadas, passaria de roqueiro rebelde a entertainer familiar, gravando praticamente apenas baladas. A juventude finalmente notara que Bill Haley e Allan Freed afinal já não tinham idade para serem ídolos jovens. Talvez o rock finalmente tivesse morrido. Ou talvez apenas precisasse de algumas mudanças.

Bem, já sabemos que o rock and roll se resume a rhythm and blues tocado à maneira dos brancos, com influência de country, fox-trot e outras. Vamos nesta série,  examinar os principais gêneros de rock and roll surgidos nos anos 50.

E aqui uma homenagem ao Ritchie Valens, uma parte do filme completo sobre sua vida e obra:
LA BAMBA 1987 - Parte 01 - DUBLADO EM PORTUGUÊS



Você pode achar as outras parte no Youtube...

No próximo post você verá Rockabilly...


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sábado, 24 de março de 2012

002-09 México 03


Continuação 03

Parece-me adequado transcrever uma opinião do crítico Lester Bangs: "Rock and roll" é a mais democrática e "all-American" das artes. Segundo uma teoria, todo o punk rock começa em "La Bamba" de Richie Valens. Considere só o choroso mariachi de três acordes de Valens à luz de "Louie Louie" dos Kinks,



daí considere "Louie Louie" à luz de "You Realy Got Me" dos Kinks,



daí "You Realy Got Me" à luz de "No Fun" dos Stooges,


daí "No Fun" à luz de "Blitzkrieg Bop" dos Ramones,


e note que "Blitzkrieg Bop" se parece muito com "La Bamba". Taí: 20 anos de história do rock and roll em três acordes, tocados mais primitivamente a cada vez que são reciclados.

Mas a influência mexicana não é só "La Bamba". Basta lembrarmos outros ilustres chicanos, como Carlos Santana,


as vozes e violôes do Trio Los Panchos,


Herb Alpert e mil outros, ou o Tex-Mex, gênero tocado por "tejanos", ou seja, texanos de origem mexicana, como Doug Sahm.


Sem falar em Elvis brincando de seresteiro de Acapulco em seus filminhos.




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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

002-06 Jazz



Primo-irmão mais velho do rock and roll e que disputa com ele e o blues o título de "única música legitimamente norte-americana" (conforme vossa opinião sobre o que seja legítima música norte-americana ou mesmo o que seja música). Nascido no final do século XIX nos grandes centros urbanos de Nova York e, principalmente, nas mais povoadas por negros Chicago e Nova Orleans, o jazz pode ser mais ou menos definido (já tentaste definir o jazz? Como diz a frase atribuída a Louis Armstrong ou Fats Waller, "se você precisa perguntar o que é jazz, nunca irá entendê-lo") como uma combinação de blues, ragtime, stride, boogie-woogie, gospel e zydeco (que definiremos mais à frente), tocada com instrumentos urbanos como piano, violão e sopros (estes, no início, eram cortesia de bandas militares), sempre com espaço para improvisações a partir de um tema (geralmente um blues).


Segunda Guerra Mundial (1914-1918): A economia de guerra e o desenvolvimento da indústria havia levado mais gente dos campos para a cidade, forçando o relacionamento entre brancos e negros e a tensão social e racial mas também favorecendo a influência mútua entre a música negra (blues e seus derivados) e a música branca (principalmente country e jazz). Da fusão do blues original com os rítmos mais dançantes dos brancos surgiu o rhythm and blues, que levou a música negra ao conhecimento da população consumista.

Originalmente mundano e hormonal como o rock and roll, o jazz também tem seu nome derivado de uma gíria para o ato sexual, a princípio grafada "jazz"ou até "jasz". "Rhapsody In Blue", peça erudita com toques de jazz e blues lançada por Gershwin em 1924, contribuiu muito para que o jazz se tornasse como disseram, "uma dama" respeitável.



NEW ORLEANS: Primeiro estilo do jazz. Criado pelas bandas pioneiras de New Orleans, sua música polifônica, improvisada simultaneamente a três vozes (trumpete ou comet, trombone e clarinete) na linha-de-frente, destacou os primeiros grandes nomes do jazz: King Oliver, Louis Armstrong, Johnny Dodds, Sidney Bechet, Jelly Roll Morton, Bunk Johnson, Freddie Keppard, Jimmie Noone e Baby Dodds. O jazz de Nova Orleans chamou-se no início "Dixieland jazz" ("Dixieland" é o apelido do Sul dos EUA), e suas improvisações seguiam o esquema já citado de tema-e-variações: primeiro a melodia, depois solos improvisados, e para terminar volta-se à melodia. O resultado é bem entusiástico e barulhento (para muitos críticos chatos, é mais entusiasmado que entusiasmante), e o dixieland pode ser considerado ascendente direto do rock and roll - será coincidência o fato de Elvis Presley ter ganho seu primeiro Disco de Ouro por uma mistura de rock-Dixieland, "Hard Headed Woman", em 1958?




(Sim, esta música veio de um filme inteiro neste clima, King Creole, que tinha até um "Dixieland Rock".)




Terá sido Elvis o pai do jazz-rock, do qual falaremos nos anos 60? De qualquer modo, as big-bands de Glenn miller, Artie Shaw, Benny Goodman, cujo apogeu foi nos anos 30 e 40, tiveram papel duplamente importante na história do rock. Além de unirem músicos e arranjadores negros e brancos e acabarem aos poucos com o apartheid musical, as big-bands, com seu espírito de poucos solos individuais e muita união, haviam de influenciar os grupos de rock - confira, por exemplo, os arroubos de "In The Mood", "hit" de Glenn Miller em 1939,



com todos os músicos empenhados no mesmo riff (frase melódica curta e continuamente repetida), técnica adotada em, por exemplo, "I'm A Man" com os Yardbirds,



"You Really Got Me" dos Kinks



 (confessamente inspirada no ritmo de "The Train And The River" do saxofonista Jimmy Giuffre),



"Rock Around The Clock" de Bill Haley e "The Jean Genie" de David Bowie.



E Chuck Berry sempre declara que adaptou seu famoso riff de gravações da big band de Benny Goodman de do r and b de Louis Jordan.


FORMAS MUSICAIS QUE ANTECEDERAM O JAZZ


Africanos e europeus trouxeram para o Novo Continente os frutos de suas tradições musicais que, com o aparecimento do jazz, já possuíam formas e características definidas e que seriam aproveitadas e elaboradas com a nova expressão musical.

CALL - Significa "chamada" e seria a primeira manifestação do negro transferida do instrumento para a voz.

SHOUT - Grito individual, curto e bem ritmado, para chamar atenção de forma barulhenta. Do campo passou para a rua (street-cry, espécie de pregão) e para outras zonas de trabalho (docas, estradas-de-ferro, barqueiros, etc.). Gershwin, na ópera "Porgy and Bess", reproduziu vários shouts.

VODUN (Voodoo, Hoodoo, Ring-shout) - Ritual alucinante, de inspiração religiosa. Até o ano 1803 era praticado à noite, às escondidas. Predominava o ritmo obstinado, os cantos monótonos e evocativos, danças ruidosas e gesticulação corporal própria da raça negra. O ritual se aproximava da macumba brasileira e os cantos obedeciam à forma de chamada e resposta.

WORK-SONGS (Labor-songs, Plantation-songs, Holler-songs, Field-hollers, Country-blues) - Cantos de trabalho, para o alívio dos sofrimentos. Tolerados no começo, foram depois aconselhados pelos patrões, pois coordenavam os movimentos de trabalho e aumentavam a produção. Consistiam em motivos monótonos, de reminiscência africana, ou improvisados, ou tirados de melodias conhecidas. O canto era em uníssono, sem acompanhamento, e se desenvolvia entre um guia e o coro; o ritmo, vigoroso. As field-hollers eram chamadas típicas das plantações. Da work-song derivariam a balada e o blues. (A linda balada John Henry, que exalta a força do negro e o desafio do homem contra a máquina, provém de uma work-song).

SPIRITUALS - Gênero criado no Século XIX, a principal origem do blues. Cantos de inspiração religiosa, influenciados pelo coral presbiteriano e pelos sermões cantados e dialogados nos camp-meetings. Representam a expressão coletiva dos povos negros, suas esperanças, suas aspirações (Para confirmar a origem religiosa do spiritual, compare-se, por exemplo, o conhecido Deep River com o hino litúrgico Iste Confessor). O spiritual evoluía de um trecho de hino (que nem sempre era conhecido na íntegra) sofrendo as conhecidas modificações rítmico-melódicas da versão negra e repetido insistentemente. Mesmo assim, não perdia o caráter místico e o sentido de coletividade, através de textos simples e ingênuos, onde o homem e Deus se comunicam familiarmente. (Editada por Allen, Ware e Garrison e patrocinada pelo governo, aparecia em 1867 a coletânea Slave Songs Of The United States, a primeira do gênero, que despertou muito interesse. Incluía work-songs, spirituals, shouts, etc. John e Alan Lomax gravaram (entre 1933-40) vários "gritos" e cantos de trabalho, mantidos vivos nas penitenciárias onde os condenados executavam trabalhos pesados. As gravações pertencem ao Arquivo Folclórico da Biblioteca do Congresso.) O spirituals, meio esquecido depois da guerra civil, foi difundido, a partir de 1871, pelo grupo "Fisk Jubilee Singers", pelos Estados Unidos e pela Europa, despertando a atenção e abrindo o caminho ao blues e ao jazz.


O SPIRITUAL POSSUI DIVERSAS VARIANTES:


Song-sermon - sermão cantado; forma primitiva de evangelização, onde o canto (quase falado) é intercalado de diálogos e várias exclamações, adquirindo, às vezes, aspectos dramáticos. Esta forma ainda é praticada.

Jubilee - é um spiritual baseado num texto mais alegre.

Negro-spiritual, Negro - sinônimos de spiritual, sendo que inicialmente esta forma era cantada por gente de cor.

Gospel, Gospel-song, Canto evangélico - versão moderna urbana do primitivo spirituals, onde o caráter religioso e o estilo coral são mantidos através de movimentação rítmica mais animada e alegre; o prisco caráter estático e místico perderia para a inclusão de um novo swing.

Secular - Canto que possui a mesma estrutura do spiritual, variando porém o argumento, que não é religioso e, quase sempre, é relacionado com a vida do negro.

Convém lembrar alguns nomes ligados a essas expressões religiosas: F. Rosamond Johnson e Harry Thaker Burleight fizeram arranjos de vários spirituals usando harmonização tradicional. Langston Hughes e Thomas A. Dorsey impulsionaram a gospel-song; o primeiro fornecendo textos e o segundo criando as melodias. Mahalia Jackson (1911-72) foi a grande intérprete do spirituals e da gospel que, através do especial modo de fraseado e pelo balanço, conseguiu relacionar a música religiosa do negro com o blues e o jazz. Outros dos maiores expoentes: Sister Rosetta Tharpe, Reverend Kelsey e Marion Williams.

BLUES - É o resultado de elementos do grito do campo, do spirituals, da work-song e de melodias européias, traduzidos num canto individual, com acompanhamento, onde a preocupação é o motivo dominante. O termo blues (invariável quanto ao número) provém de uma expressão atribuída (1807) ao escritor Washington Irving (1783-1859)


Washington Irving

e foi adotado para indicar uma canção melancólico-sentimental e um estado de alma onde predomina a tristeza (blue significa "triste").
Veja mais sobre o Blues que antecedeu o Jazz.


OUTROS ESTILOS DE JAZZ


DIXIELAND: Derivação do estilo New Orleans desenvolvida por músicos brancos de Nova York nos anos 20. Principais expoentes: Miff Mole, Red Nichols, Joe Venuti e Adrian Rollini.

CHICAGO: Outra derivação do New Orleans, com o acréscimo do saxofone na linha-de-frente. Principais nomes: Bix Beiderbecke, Frankie Trumbauer, Bud Freeman, Eddie Condon, Jimmy McPartland, Joe Sulivan.

SWING: Estilo que floresceu nos anos 30, de grande apelo rítmico. Principais figuras: Benny Goodman, Count Basie, Chick Webb, Jimmie Lunceford, Roy Eldridge, Coleman Hawkins, Lester Young, Lionel Hampton, Johnny Hodges, Harry Carney, Cootie Williams, Buck Clayton, Harry James, Teddy Wilson.

MAINSTREAM: Amálgama de elementos da era pré-swing e do swing, mesclados a inovações emprestadas a outras formas musicais.

BEBOP: Estilo surgido nos anos 40, deu início à era moderna do jazz. Revolucionou todos os conceitos em tempos de improvisação, melodia, harmonia, rítmo, composição, sonoridades e timbres. Criado por Dizzy Gillespie, Charlie Parker, Thelonious Monk, Kenny Clarke e outros, teve milhares de seguidores, entre eles Bud Powell, Fats Navarro, J.J. Johnson, Miles Davis, Dexter Gordon, Cecil Payne, Sonny Stitt.

COOL JAZZ: Caracterizado pela maneira moderada de tocar sem vibrato, trouxe uma nova estética através de coloridos tonais extraídos de instrumentação própria, que incluía tuba e tromba. Principais músicos: Miles Davis, Gil Evans, Gerry Mulligan, John Lewis e Lee Konitz.

WEST COAST JAZZ: Derivação do cool jazz, desenvolvida na Califórnia por músicos brancos egressos das orquestras de Stan Kenton e Woody Herman. Principais nomes: Shorty Rogers, Jimmy Giuffre, Shelly Manne e Chico Hamilton.

HARD BOP: Segmento do bebop, com maior força de expressão rítmico-melódica, desenvolvido pelos conjuntos de Art Blakey, Horace Silver, Clifford Brown-Max Roach e Sonny Rollins.

FREE JAZZ: Jazz de vanguarda em que a improvisação é livre, sem se fixar nos acordes de base e no rígido andamento. Criado à partir das inovações de Omette Coleman, teve como expoentes John Coltrane, Don Cherry, Cecil Taylor e Anthony Braxton.

FUSION: Fusão entre a improvisação do jazz sobre ritmos de rock e música pop em geral, utilizando instrumentos eletrônicos e de percussão. Expoentes: Miles Davis, Chick Corea, Weather Report, Stanley Clarke, Pat Metheny, Freddie Hubbard, Herbie Hancock, Grover Washington Jr. E George Duke.

JAZZ LATINO: Improvisação do jazz sobre ritmos latinos e percussão, em voga dos anos 40, introduzido pela Orquestra de Dizzy Gillespie.

CONTEMPORÂNEO: Evolução do jazz moderno, à partir do bebop, com elementos do hard bop e do free jazz, inseridos na forma e no conteúdo das improvisações.



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sábado, 5 de junho de 2010

001-Introdução


O rock é um dos grandes paradoxos da história da humanidade: apesar de já ser até matéria de curso universitário, é a forma musical mais instantânea, efêmera e "moleca" que existe - "rock and roll é a piada mais engraçada e duradoura do Universo", disse um jornalista norte-americano. Este blog está aqui para mostrar que é impossível imaginar como seria o século sem o rock and roll, cujo surgimento, desenvolvimento e aceitação mundiais foram, para o bem ou para o mal, a coisa mais natural do mundo. O rock não só é a música mais aberta a influência de outras músicas, como também a música mais aceita em todo o mundo. Já que a chamada "cultura universal" é, na verdade, apenas, a cultura particular de alguém, aceita (ou imposta) universalmente, o rock é mais um estilo de vida.


Procuraremos mostrar que o rock não surgiu do nada, e que outros gêneros musicais de que se originou também merecem ser lembrados, não esquecendo de analisar a época e as circunstâncias em que este gênero nasceu - muito antes de Elvis Presley ou Chuck Berry terem nascido!

O rock, como em toda forma de música popular, a energia e a espontaneidade, mesmo que só aparentes, são mais importantes que a criatividade e a originalidade. Afinal, toda a música popular é feita de fórmulas, sempre repetidas quando agradam. E vale tudo: adaptações, citações, repetições - e daí que Chuck Berry ou Keith Richards sempre repetiam os mesmos riffs e acordes? Foi dito que um dos encantos do rock é justamente a repetição sem tédio, e um crítico americano afirmou que recriminar Keith por usar o mesmo riff básico em mais de uma música é como repreender um grande jogador de beisebol por fazer dois "strikes" com o mesmo taco - ou, para traduzir, achar ruim que Pelé fizesse dois gols com a mesma bola. Tais repetições, desde que feitas com inspiração, são grande parte da história do rock, história esta que, veremos, tem vários começos, segue por todos os meios e, ao que parece, nunca vai ter fim.

Não existem culturas fechadas, o rock, ao longo de sua história, exerceu e recebeu influências em relação a outras fontes (nada de radicalismos ou preconceitos):

Vejam como a gente foi pegando intimidade com o rock and rol, que virou só rock, afinal, o rock tem isto em comum com o samba: ambos têm um espírito característico, mas comportam vários adjetivos.

A banda Legião Urbana tinha uma música chamada: "Será", que foi transformada em samba pelo Grupo Raça Negra. Dentro dos gêneros de samba foi criado o samba-rock, e dentro dos gênero de rock também foram incluídos ou adaptados outros estilos. Veja os vídeos do Youtube abaixo e compare:






Legião Urbana - Será


Banda Raça Negra - Será

Veja a banda Aerosmith cantando a música "Walk this way" e depois ouça a gravação junto com o grupo Rap Run-D.M.C.


Aerosmith - Walk this way



Run-D.M.C and Aerosmith - Walk this way


Veja 30 fotos sobre o evento. Site externo.

Na próxima página você verá Primórdios...


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quinta-feira, 6 de maio de 2010

Elvis Presley - Bossa Nova Baby


Elvis Presley - Bossa Nova Baby (VIVA ELVIS) 2010




Elvis Presley


Embora sem o nome de rock ‘n’ roll ainda, o rhythm and blues foi uma música que surgia nos anos quarenta, embora suas raízes sejam mais antigas do que o mercado escravo que trouxera os primeiros imigrantes forçados da África para as Américas. Foi, porém, nos anos cinqüenta que essa música passou a atrair cada vez mais atenção de jovens brancos. E este interesse, e todos os tumultos e convulsões sociais que seriam provocados é o que reconhecemos como a história do rock ‘n’ roll. E no topo desta montanha, um nome é repetido por todos os demais que começaram embalados por ele. Este nome é Elvis Presley.

Elvis Presley

Sem Elvis Presley não haveria Beatles e sem Beatles todo o rock inglês seria diferente e provavelmente restrito à Inglaterra. Sem Elvis não haveria Carl Perkins, Jerry Lee Lewis, Buddy Holly ou Gene Vincent. Sem Elvis, o rock provavelmente teria sido apenas uma música americana. Porquê? Porque até o surgimento de Elvis, todo mau comportamento era restrito aos negros. E dentro desta lógica racista, música negra era música pagã, portanto tabu e pecado. Elvis, ao rebolar e se portar instigantemente sexual, atropelou o grande tabu anglo-saxão protestante (sexo). Ao fazer sucesso com isso permitiu o apoio comercial que foi decisivo na evolução do estilo musical, e no processo deu passe livre para mais de uma geração artística seguir o mesmo caminho.

É impossível negar que grande parte do material produzido por Elvis Presley depois da década de cinqüenta, é em termos de rock ‘n’ roll, de qualidade duvidosa, senão medíocre. No entanto, sua carreira foi importante demais para seus trabalhos menos inspirados terem alguma relevância. Considere os seguintes fatos:

Nenhum outro artista tem um número maior de canções a entrar nas 100 Mais nas Paradas de Sucesso dos Estados Unidos. São 149 hits dos quais 114 ficaram entre os 40 Mais, 40 ficaram entre os 10 Mais e 18 chegando a No.1. Estes 18 conferem a Elvis o gabarito de ser o artista de segundo maior número de hits a chegar a No.1, perdendo apenas para os Beatles com 21. Elvis empata com The Supremes com 10 hits consecutivos a chegar a No.1; recebeu o maior número de Discos de Ouro, 81 contra 42 de Barbara Streisand e 41 dos Beatles; e Discos de Platina, 43 contra 26 dos Beatles. Elvis tem o segundo maior número de discos Multi-Platinados, 19, perdendo para os Beatles com 24 e seguido de longe por Led Zeppelin com 13.

Todas essas estatísticas são referentes ao mercado americano, segundo a Billboard, e são todos números realmente impressionantes se tratando mesmo daquele mercado tão vasto. Mas se forem englobadas vendas ao redor do mundo, as cifras são estimadas na casa dos bilhões de discos vendidos.

Agora chega de apresentações, vamos então à historia deste que é para alguns, o Rei do Rock ‘n’ Roll.

Foi em Tupello, Mississipi, no dia 8 de janeiro de 1935, que Vernon Elvis Presley e Gladys Love Smith Presley viram pela primeira vez seus filhos gêmeos, Jessie Garon Presley e Elvis Aaron Presley. Em um parto caseiro, a alegria foi tingida por tristeza ao verificarem que Jessie deixara o ventre de sua mãe já morto.

O menino Elvis Aaron Presley cresceu em uma casa bem humilde de dois cômodos construída pelo pai e seu irmão. Por treze anos ele cresceu junto aos tios, primos e avós, todos morando relativamente perto um do outro. Familia temente a Deus, Elvis é fortemente influenciado pela conduta da igreja, a Assembléia de Deus, mesma de seus pais. Os cânticos da igreja, assim como a música negra das ruas que ele ouvia, serão absorvidos pelo menino.

Tanto que aos dez anos de idade, em uma das muitas feiras que eram realizadas anualmente na região, a ‘Mississippi-Alabama Fair and Dairy Show’, Elvis Presley tira segundo lugar em um concurso de talentos ao cantar “Old Shep” de pé em um banco para poder alcançar o microfone. As apresentações daquele concurso foram transmitidas ao vivo pela estação WELO Radio e portanto, este pode ser considerado o ‘debut’ de Elvis no rádio. Seu premio foi de $5 dólares e voltas gratuitas em todos os brinquedos da feira.

No ano seguinte, Elvis quer uma bicicleta mas sua família não tem meios de pagar por uma. Então sua mãe lhe convence a aceitar um violão no lugar. O instrumento custou $12.50. Aos treze anos de idade, Elvis se despede de sua escola, a Miliam Junior High School em Tupello com uma apresentação para a classe tocando o violão e cantando a canção “Leaf On A Tree.” Sua família se muda para Memphis, Tennessee, em busca de melhores oportunidades e condições de vida. Outros parentes da família Presley e da família Smith seguirão essa jornada. Elvis estuda só até terminar o Segundo Grau no L. C. Humes High School, onde se forma em 1953.

Vivendo em Memphis, ele cresceu em contato direto com os músicos de rua negros na hoje decantada Beale Street, local onde surgiram nomes como Bobby Bland, Johnny Ace e BB King. Além do country que tocava nas rádios ele passa a frequentar as festas para brancos e pretos que acontecem na cidade. Lá Elvis entra em maior contato com gospel e a música negra em geral. Destas influências para a sua futura e inesperada carreira, destaca-se necessariamente Wynonie Harris, o homem que gravou a versão original de “Good Rockin’ Tonight”. Quando Elvis passou a rebolar o seu pélvis de forma tão instigante, ele nada mais fazia do que imitar o negro Wynonie Harris, que vira tantas vezes ao vivo.

Trabalhando desde a adolescência para ajudar os pais no orçamento caseiro, Elvis logo se mostrou diferente da maioria dos outros meninos. Gostava de deixar o cabelo crescer mais comprido do que o costume para os padrões da sua época. Ele fazia um topete e usava suas costeletas largas e compridas.

Diferente do que se costuma contar, Elvis não era um caminhoneiro quando em junho, ele resolveu parar na Memphis Recording Service para ver como sua voz soava em um disco. Ele trabalhava para Parker Machinists Shop, seu primeiro emprego depois de deixar a escola. Na M.R.S. ele gravou duas canções, "My Happiness" e "That’s When Your Heartaches Begin." A empreitada lhe custou $4 dólares e Elvis presenteou o resultado a sua mãe que apesar de aniversariar em abril, recebeu o acetato como sendo um segundo presente de aniversário.

The Memphis Recording Service produzia discos para o selo Sun e era extra oficialmente chamado de Sun Studios, um nome que só ganharia oficialmente muitos anos depois. Quem cuida desta histórica sessão é Marion Keisker, assistente do dono Sam Phillips que não está presente nesta ocasião, viajando promovendo outro artista. Marion vê neste rapaz, tanto em aparência quanto em voz, um talento que poderia interessar seu patrão. Sam Phillips era um homem que há anos gravava artistas negros, responsável por inúmeros discos clássicos de blues e rhythm and blues. Phillips dissera em certa ocasião que se encontrasse um rapaz branco que pudesse soar como um negro, ele ficaria rico.

Em setembro Elvis mudaria de emprego, trabalhando por algumas semanas para The Precision Tool Company e depois como motorista de um caminhão de entregas da Crown Electric Company. Foi então em janeiro de 1954 que Elvis estacionava o seu caminhão na frente da Memphis Recording Service com intuito de gravar outro acetato. Desta vez, Sam Phillips está presente. Segundo algumas versões, seria somente no verão (junho) de 1954 que Marion sugere a Sam a hipótese de que aquele rapaz poderia ser o menino de voz negra de seus sonhos. Phillips acaba convidando Elvis para uma sessão de teste e lhe dá a canção "Without You" para cantar. O resultado não lhe satisfaz, contudo uma das razões que faz Sam Phillips ser um ótimo produtor é sua habilidade de fazer o artista se sentir à vontade no estúdio. Sam então lhe pede para tocar e cantar o que quisesse e o menino passeia por um repertório basicamente de música popular da época. Nada desta sessão foi aproveitado, porém deixou Sam Phillips ainda interessado.

Foi no dia 3 de julho de 1954 a histórica sessão que deu início em sua carreira. Phillips chamou dois músicos de estúdio que já trabalharam com Sam em outras tantas ocasiões. São eles Scotty Moore na guitarra e Bill Black no baixo. Novamente a sessão estava rendendo poucos resultados e durante uma parada para descanso, Elvis passou a cantar sem pretensões “That’s Alright Mama.” Conta a lenda que Sam Phillips pulava de alegria enquanto gritava “É isso, é isso que eu quero!” “That’s Alright Mama” e “Blue Moon of Kentuckey” se torna o primeiro compacto de Elvis Presley pela Sun Records e vendeu razoavelmente bem.

O disco passou a ser tocado em estações de rádios de música negra, onde os ouvintes eram basicamente negros. Portanto, é natural supor que os primeiros compradores deste compacto fossem negros pensando ironicamente se tratar de um artista negro. Porém, bastou Elvis começar a falar, em uma entrevista feita em uma dessas visitas promocionais a estação de rádio, para logo se perceber que se trata de um rapaz branco.

Elvis, Scotty e Bill formam uma banda, The Hillbilly Cat And The Blue Moon Boys, fazendo apresentações variadas em pequenos bares e clubes da cidade e da região. Em outubro daquele ano, após uma apresentação na estação de radio KWKH Radio na cidade de Shreveport, no estado de Louisiana, conseguem um contrato de um ano para cinqüenta e duas aparições todos os sábados à noite na cidade de Hayride. Este é até o momento, sua maior oportunidade como artista, porém com sua popularidade crescendo, o contrato acaba impedindo ele e a banda de viajar muito longe. É em Hayride que Elvis Presley conhece o Coronel Tom Parker.

Tom Parker é um ‘promoter’ e um empresário de artistas de sucesso como Hank Snow e Eddy Arnold, ambos estrelas de country music. O fato de Parker se interessar por Presley é uma razão de grande status para este jovem rapaz. Mas Elvis acaba assinando um contrato com o empresário Bob Neal em janeiro de 1955. Neal coloca Elvis e sua banda em uma excursão junto com artistas de Tom Parker, e organizado por ele. Para esta excursão, o baterista D.J. Fontana é adicionado ao grupo. Observando a reação do público feminino para Elvis, que rebola e incendeia o público, a ponto de sair brigas entre a multidão, Parker cada vez mais se interessa pelo rapaz.

Em agosto de 1955, Elvis assina um contrato com a Hank Snow Attractions que passa a empresariá-lo, com Bob Neal permanecendo apenas como um conselheiro. A Hank Snow Attractions pertence igualmente a Hank Snow e Tom Parker. Em menos de dois meses, Hank Snow está sem nenhuma participação no contrato com Elvis que pertence agora exclusivamente ao Coronel Parker. Uma das suas primeiras providências foi de negociar um contrato com um selo de maior porte do que o pequeno Sun Records.

Habilmente colocando as gravadoras Mercury, Atlantic, Decca e Columbia uma contra as outras, em um leilão pelo contrato de Elvis Presley, Parker acaba acertando com a RCA. Neste acordo, a RCA compra todo o catálogo de Elvis na Sun Records, o que inclui os cinco compactos mais o material que ainda não fora lançado. O valor desta operação rendeu ao Sam Phillips o valor extraordinario de $40.000 dólares, além de $5.000 como uma porcentagem para o bolso de Elvis. Como Elvis sequer tem vinte e um anos ainda, o contrato tem que ser assinado pelo seu pai, Vernon Presley.

Enquanto RCA relança o material recém-comprado da Sun, agora saindo nacionalmente pelo selo RCA, Parker acerta para Elvis um contrato com a Hill and Range Publishing Company. Segundo este acordo, é criada a Elvis Presley Music Inc., na qual Elvis recebe uma porcentagem dos direitos autorais de todas as canções que Hill e Range lhe trouxerem para gravar. Em outras palavras, mesmo não sendo compositor de nenhuma das canções que canta, Elvis recebe uma porcentagem dos direitos autorais que caberia a Hill and Range Publishing.

Aos vinte e um anos, Elvis Presley tem um dos melhores contratos no país com uma gravadora e com uma editora, um feito extraordinário graças a boa negociação do Coronel Tom Parker. Ele grava então no dia 10 de janeiro de 1956 seu primeiro compacto para o seu novo selo, “Heartbreak Hotel.” A RCA colocou o grupo The Jordanaires como sua nova banda. O compacto vendeu 300.000 cópias em três semanas, um marco que comprovou rapidamente que o investimento da RCA em Elvis Presley foi lucrativo.

Em 28 de janeiro de 1956, Elvis estréia em cadeia nacional, aparecendo no programa “Stage Show”, da CBS, produzido pelo ator e comediante Jackie Gleason e estrelando Tommy e Jimmy Dorsey. Até março, ele terá feito seis participações no programa e criado uma pequena sensação ao redor do país em torno de seu nome. A esta altura “Heartbreak Hotel” já vendera um milhão de cópias e se tornara o primeiro Disco de Ouro desta nova sensação. RCA lança então "I Forgot to Remember to Forget" que igualmente chega a No. 1 nas paradas de sucesso country. Seu primeiro álbum: Elvis Presley, igualmente chega a um milhão de discos vendidos se tornando igualmente um Disco de Ouro.

Em abril de 1956, Elvis faz um teste para Paramount Studios em Hollywood, para o filme The Rainmaker onde ele faz mímica ao som de "Blue Suede Shoes" em playback. Apesar de acabar sendo rejeitado para este filme, Paramount fecha um contrato de sete anos com ele para estrear em uma série de películas, acreditando no poder de atração do jovem revelação.

Suas apresentações causam cada vez mais histeria entre o público feminino, graças aos seus rebolados e atitudes sexuais no palco. As invasões por vezes obrigam organizadores a encerrarem cedo o espetáculo com medo de alguém sair ferido. Em meio a isto, durante uma apresentação no programa de televisão The Milton Berle Show, Elvis apresenta uma versão de “Hound Dog” que acaba chocando a parte mais puritana dos Estados Unidos. Motivo de controvérsia, Elvis se torna ainda mais atraente para os jovens.

A controvérsia cria o apelido, Elvis The Pelvis, o que irritaria o artista que chamaria esse nome de a maior criancice que ele já tenha ouvido. Tentando apagar um pouco o fogo de sua instigante apresentação no mês anterior, Elvis aparece no Steve Allen Show vestido de fraque novamente cantando “Hound Dog”, desta vez de forma menos instigante e para um bassê. Idealizado por Steve Allen, Elvis considerou a jogada publicitária ridícula, mas aceitou, na esperança de acalmar certos grupos religiosos que o classificam como amoral.

No fundo, toda esta controvérsia se torna lucrativa para o cantor quando Ed Sullivan lhe oferece o valor absurdo de $50.000 dólares por três apresentações em seu programa. Sullivan que não gostava dos rebolados ofensivos deste artista, aceitou tê-lo no seu programa dado aos índices que se registravam cada vez que Elvis aparecia em algum programa. Para não ofender seu público, Sullivan instruiu sua equipe a partir do terceiro programa, de filmá-lo apenas da cintura para cima. Cartas inundaram o escritório no dia seguinte de jovens reclamando que queriam assistir o ‘verdadeiro’ Elvis em seu programa.

Em agosto de 1956 ele começaria as filmagens para o seu primeiro filme, “The Reno Brothers.” O filme é da Twentieth Century Fox que aluga o seu contrato com a Paramount. Durante a filmagem, houve um acordo e foi adicionada uma cena onde Elvis cantaria seu próximo lançamento, “Love Me Tender.” Com clara intenção de capitalizar no que julgam corretamente ser um hit certo, o filme passa a se chamar “Love Me Tender.”

Elvis retorna a Tupelo onde nascera para o que passa a ser chamado Elvis Presley Day, no dia 26 de setembro de 1956. Lá ele faz duas apresentações durante o Mississippi-Alabama Fair and Dairy Show, o mesmo que disputara o concurso de talentos ainda com dez anos de idade. Elvis se tornara grande sensação em todo o país e ao final daquele ano, estatísticas comprovam que Elvis Presley havia vendido cerca de $22 milhões de dólares em produtos variados que levavam o seu nome. Não só discos, como também camisetas, chapéus, carteiras, bolsas, batom, perfume, cintos, roupas, revistas, cachorrinhos de pelúcia, canecas, pratos, canetas e mais.

Entre apresentações pelo país e aparições na televisão, Elvis se tornara a maior sensação jovem do mercado. Seu estilo particular misturando country e pop branco com rhythm and blues e gospel dos negros, aleados ao seu carisma pessoal e talento natural lhe transformam em símbolo do jovem americano moderno. Entre 1956 e 57, como uma figura nacional, Elvis Presley já terá feito o suficiente para ser considerado um ícone cultural de sua geração. A música, assim como os costumes nunca mais serão os mesmos e embora essas mudanças não tenham sido violentas como as iniciadas pelos Beatles na década de sessenta, são radicais o suficiente para atrair jovens para música negra, o que acabaria sendo o principal fator para a criação de bandas como os Beatles, para início de conversa.

O ano de 1957 começa com as filmagens de seu segundo filme em janeiro e seu terceiro filme em maio. Elvis se apresenta três vezes no Canadá, suas únicas apresentações fora dos Estados Unidos, e compra Graceland em Memphis para ele, seus pais e sua avó morarem. Faz a primeira doação para o Elvis Presley Youth Recreation Center, um Centro de Recreação para Jovens em Tupelo, Mississippi. O terreno do Centro inclui a casa onde Elvis havia nascido. Elvis fará substanciais doações para este centro pelo resto de sua vida, doações que continuarão até o presente, mantidas pelo Elvis Presley Estate. A casa onde Elvis nasceu é hoje um museu para visitações do publico, mantido pelo Centro.

Em outubro de 1957 estréia “Jailhouse Rock”, seu terceiro filme rodado em maio. Além do sucesso da canção, o filme é facilmente seu melhor trabalho como ator, perdendo apenas para “King Creole” rodado no ano seguinte antes de Elvis servir o Exército. Clássico do cinema rock ‘n’ roll, a cena dançante onde se canta a canção título é para muitos, o padrão copiado para muitas cenas musicais posteriores no meio rock. Será também, segundo alguns, o molde para o que passaria a ser chamado filmes promocionais de rock na década de sessenta, e que mais tarde ganharia o nome de vídeos musicais nos anos oitenta.

Elvis e família se mudam para Graceland em dezembro e antes do Natal, Elvis é chamado para servir o Exército. Entre janeiro e março de 1958, Elvis filma “King Creole” e se apresenta ao vivo pela ultima vez antes de servir. Serve inicialmente em Fort Hood no Texas onde recebe treinamento básico por seis meses. Neste ínterim, sua mãe Gladys fica doente com hepatite e morre em 14 de agosto de 1958, aos 46 anos.

Depois de chorar a perda da mãe e retornar para seu posto em Fort Hood, Elvis é transferido para Friedberg na Alemanha onde permanecerá por 18 meses. Chega a conhecer Munich e até Paris durante algumas folgas. Durante seu período na Alemanha, Elvis conhece a enteada do Coronel Joseph Beaulieu, a menina Priscilla Ann Wagner, então com apenas 14 anos. Seu pai era James Wagner, um piloto da marinha que morreu em um acidente de avião, e sua mãe Ann casaria, pela segunda vez, com o Coronel Joseph. Voltariam a se ver mais vezes nos Estados Unidos.

Enquanto isto, Coronel Parker garante que a carreira de Elvis continue em evidência autorizando uma serie de coletâneas lançadas pela RCA. Elvis deixaria o Exército em março de 1960 com a patente de sargento. Ele chega aos Estados Unidos e imediatamente é obrigado a dar longas entrevistas. Frank Sinatra coloca sua filha Nancy Sinatra para recebê-lo e lhe dar as boas-vindas em nome da juventude americana, uma jogada promocional que teve boa repercussão na epoca. No mês seguinte, ele volta aos estúdios e depois começa a rodar o seu quinto filme, “GI Blues.”

Elvis ainda faz duas apresentações ao vivo antes de dedicar sua carreira exclusivamente para filmes. Elvis quer realmente ser um bom ator e leva sua carreira de cinema a sério. No entanto, os roteiros de filmes aceitos pelo Coronel Parker e dados ao Elvis são sempre de produções simplórias visando claramente explorar a sua figura popular sem nenhuma consideração real para dramatização ou expectativas para alguns ou algum prêmio Oscar.

Mantendo Elvis ocupado com filmes simples, às vezes três em um ano, acoplado de discos em torno da trilha-sonora e discos natalinos, o Coronel garantiu uma mina de ouro anual sem maiores esforços para ele ou o seu artista. Neste ponto, o trabalho de Tom Parker foi lúcido e benéfico. No entanto, artisticamente, Elvis havia morrido como uma figura representativa para o jovem. E isto ficou ainda mais óbvio após a chegada à América do fenômeno Beatles e toda a invasão Britânica que se seguiu.

A década de sessenta na carreira de Elvis Presley é marcado pela super-exploração do mito, forçado a gravar cada vez mais músicas, nem sempre primando pela qualidade, ao mesmo tempo que lançava filmes e compilações de seus maiores sucessos. Todos estes discos e filmes vendem bem. A voz de Elvis Presley é soberba e sua dedicação a cada trabalho que leva o seu nome é total. Apenas não se trata mais de rock ‘n’ roll, Elvis estando claramente fora do que está acontecendo na música contemporânea. Seu material é para os pais e não mais para os filhos e filhas.

Após um namoro discreto, Elvis Presley casa com Priscilla dia 1 de maio de 1967 em Las Vegas. Entre uma rápida lua-de-mel em Palm Springs e os toques finais no filme “Clambake”, o casal se muda para Graceland onde vestidos à caráter, performam outra cerimônia de casamento para amigos e parentes que não puderam estar presente ao verdadeiro. Dia 1 de fevereiro de 1968 nasce Lisa Marie Presley, filha única do casal. Coincidência ou não, são nove meses exatos desde a data do casamento.

A exceção acontece em 1968 quando Elvis retorna para o palco depois de quase sete anos e faz uma apresentação filmada do que pode ser considerado o que há de melhor em rock/rockabilly. Trazendo de volta sua antiga banda com Scotty Moore e DJ Fontana, (Bill Black já havia falecido) mais the Jordanaires e outros músicos profissionais, abriu um espaço no set para ele mesmo tocar o violão fazendo o que hoje costuma se chamar de um set Unplugged ou Acústico. O filme, chamado simplesmente de ELVIS, foi gravado entre 27 e 30 de junho. O filme também pode ser encontrado pelo nome The 68 Special ou 68 Comeback.

Apesar das ótimas criticas e sucesso geral da empreitada, Elvis não seguiu o bom momento com uma excursão americana de grande porte, o que seria provavelmente a melhor manobra. No lugar, o Coronel preferiu fixar as atenções do Elvis para terminar o seu contrato cinematográfico que foi encerrado em 1969. Elvis estava mais do que frustrado com a forma com que Hollywood encarava sua carreira de ator. Uma vez terminado o contrato, Elvis só queria saber de uma coisa; tocar ao vivo novamente.

Elvis então acerta um contrato para tocar em Las Vegas, inaugurando um cassino dentro do International Hotel, em um contrato milhonário. Em apresentações com banda, orquestra (conduzido por Bobby Morris) e cantores de gospel masculino (The Imperials) e femininos (The Sweet Inspirations) fazendo backing, Elvis de roupa de palco branca inicia em julho de 1969 e continua pela maior parte da década de setenta como atração de cassino em temporadas ao vivo em Las Vegas que duravam geralmente um mês. A primeira temporada no International Hotel acaba rendendo o primeiro álbum ao vivo de Elvis, “Elvis in Person at the International Hotel.” Em setembro deste ano, Elvis consegue com a canção “Suspicious Minds” seu primeiro hit desde 1962. É também seu último grande sucesso na parada.

Após uma série de apresentações no Texas em 1970, especulava-se muito sobre a primeira excursão americana de Elvis desde a década de cinqüenta. O que surgiu foi uma pequena excursão em nove cidades que foi filmado e teria momentos apresentados no filme “Elvis - That’s The Way It Is”. Depois de uma pausa para gravações em Nashville, Elvis retorna a excursionar por oito cidades. Elvis retornaria para outra temporada de um mês em Las Vegas, novamente no International Hotel que depois de 1971 passaria a se chamar The Las Vegas Hilton International Hotel. Para aguentar a maratona de shows e gravações, Elvis passa a consumir avidamente medicamentos, antidepressivos, moderadores de apetite e anfetaminas.

Elvis é diagnosticado, ainda em março de 1971, com glaucoma. Lentamente durante a década de setenta, vai surgindo a figura de um artista decadente, gordo, parado no palco, lembrado praticamente apenas pelas baladas românticas e tendo abandonado seu estilo inicial. Porém durante todos estes anos, Elvis está seguidamente recebendo troféus e placas em homenagem aos seus feitos e sua importância para a indústria fonográfica e indústria de entretenimento em geral. Suas temporadas em Las Vegas atraem mais público para a cidade e quebram seguidos recordes de audiência com shows constantemente lotados.

Depois de uma terceira excursão visitando doze cidades em final de 1971, Priscilla Presley deixa Graceland com sua filha Lisa Maria. A separação será publicamente conhecida a partir de julho de 1972, no entanto o divórcio só será assinado em outubro de 1973. Elvis e Priscilla continuarão se comunicando como amigos e Lisa Maria terá contato com o seu pai sempre que ele deseja. Elvis passa a morar com Linda Thompson em julho de 1972. Durante o ano de 1972, Elvis excursiona por praticamente todo o seu país e emplaca um hit com “Burning Love” que chega a No.2 nas paradas americanas.

Ele encerra o ano se apresentando em Honolulu onde em janeiro ele volta a se apresentar, desta vez em um show com transmissão via satélite, ao vivo, para todo o Havaí, Austrália, Coréia do Sul, Vietnã do Sul, Japão, Tailândia e Filipinas. Um vídeo do show mais tarde seria apresentado em diversos países da Europa, assim como também, dentro dos demais estados dos Estados Unidos. Este, para muitos é o último grande momento de Elvis, ainda em boa forma.

Em março de 1973, Elvis e o Coronel vendem suas partes dos direitos autorais sobre todo o seu catálogo para a RCA, antes de seguir para uma outra seqüência de mini excursões pela América, agrupados em oito cidades, cada. No meio do ano, Elvis é hospitalizado com problemas na pleura, colo, hepatite e pneumonia. Sua dependência por medicamentos aumenta em proporções perigosas. Sua rotina passa a ser excursões, temporadas em Las Vegas, sessões de gravações em Nashville e passagens pelo hospital por problemas relativos a abusos com medicação.

Em novembro de 1976, infeliz com a maneira que ele anda levando sua vida, Linda Thompson deixa Elvis Presley, segundo ela porque não queria estar por perto quando ele morresse. No mesmo mês, Elvis a substitui com a jovem Ginger Alden. Elvis passa o restante do mês de novembro excursionando. O ano de 1977 inicia no mesmo ritmo de sempre, com pausa entre excursões para temporadas no hospital. Três apresentações em junho serão gravadas pela RCA e filmados pela CBS visando álbum e especial televisivo que irá ao ar apenas em outubro.

Em Graceland, véspera de retornar para a estrada com show marcado em Maine para o dia seguinte, Elvis Presley morre dia 16 de agosto em 1977 de um ataque cardíaco no banheiro de sua casa. A necrópsia revelou a ingestão de oito ou mais drogas (entre outras morfina, valium e valmid), responsáveis por sua morte. Ao redor do mundo as manchetes principais em praticamente todos os jornais de importância registravam o fato que “o Rei Morreu”.

Fonte: Márcio Ribeiro (Creedance)