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sexta-feira, 28 de março de 2014

003-06 Pop-Rock


Não há o que discutir: o rei foi e ainda é Elvis Presley (1935/1977), e o segredo de sua imortalidade, além do talento e do carisma, é o mesmo dos Beatles: ecletismo e versatilidade. O próprio Elvis não gostava muito de ser chamado de "Rei do rock"; afinal, ele era fã de cantores pop como Dean Martin, de baladonas pop e de gospel, mas era capaz de transformar qualquer coisa - canções napolitanas ou alemãs, habaneras, bossa-nova - em rock and roll.

Obviamente, todos esse gêneros são subdivisões do rock and roll, e nenhum é camisa-de-força. A própria Billboard já tinha a esta altura três paradas de sucesso, pop, country e r and b, havendo muito "crossover", ou seja, gravações de um gênero agradavam público de outro gênero. Um exemplo berrante (não literalmente) é "Ain't That A Shame" de Fats Domino emplacar na parada de r and b - mas na versão branquela de Pat Boone! Mais edificante é "Hound Dog" de Elvis, que alcançou o primeiro lugar nas três paradas.

E onde mais, além do rock and roll, pode-se encaixar (ou restringir) roqueiros como Little Richard (nasc. 1935), Chuck Berry (nasc. 1926), Bo Diddley (nasc. 1928), Roy Orbinson (1936/1988), Esquerita (1934?/1986)? Não seja esse o problema; no fim é tudo rockabilly, ou r and b, ou rock and roll.


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003-05 High-School Rock


"Não compre discos negros! Eles corrompem a mente dos jovens! Ajude a salvar a juventude da América!" O high-school rock veio sob medida para a classe-média norte-americana que levou a sério este panfleto distribuído lá pelos anos 30/40. Já que não era possível deter o avanço da música de raízes negras, pelo menos que ela fosse cooptada, tão atenuada quanto possível, aproveitando apenas seus aspectos "positivos" - a batida animada, as melodias contagiantes (pelo menos mantiveram as "blue-notes"). E assim foi feito: as grandes gravadoras lançaram vários cantores e cantoras brancos, bonitinhos (as) e bem-educados (as), muitas vezes regravando hits de artistas negros como Fats Domino ou Little Richard, roubando-lhes o lugar ao sol das paradas ou do grande público, já que tinham bem mais divulgação e aceitação da chamada "maioria silenciosa"; e, como convém à classe média, a aparência é tudo; talento era o de menos. Ao lado de, bem, cantores como Fabian (nasc. 1943), e Annete Funicello (nasc. 1942), o high school teve artistas de algum talento como Connie Francis (nasc. 1938) e o grande "vilão" do gênero, Pat Boone (nasc. 1934), que até se redimiu de suas versões super-aguadas de "Tutti Frutti" de Little Richard e "Good Rockin' Tonight" de Roy Brown ao interpretar canções realmente pop, como "Bernardine" e "Love Letters In The Sand" (e nos EUA dos anos 60 ele só emplacou menos hits que Elvis e os Beatles!).




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