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sábado, 29 de março de 2014

005 Anos 70


Mito do rock no 3: "A década de 70 foi a década que o bom gosto esqueceu, auto-indulgente, narcisista, plácida e, em resumo, uma época que não prestou." (Opinião de Ayrton Mugnaini Jr.).

(Mito no 31/2: "as décadas vão dos anos 1 a 9". Na verdade, vão do ano 1 ao ano zero da dezena seguinte. Por exemplo, a década de 70 vai de 1971 a 1980, ao contrário dos anos 70 que vão de 1970 a 1979. Mas chega de pentelhar e vamos em frente.)

Na verdade, com a indústria cada vez maior, simplesmente aumentou o espaço para dejetos, sucatas e material com defeitos de fabricação. E o ser humano, sabe como é, tende a lembrar e divulgar os maus momentos melhor que os bons. Enfim, se uma década foi melhor que outra é mera questão de gosto (bom ou mau, não se discute).

Em 1970 o rock, assim como os roqueiros da primeira geração, já haviam atingido sua maioridade e a inocência dos primeiros tempos era apenas passado. As grandes bandas em sua maioria estavam cercadas dos melhores equipamentos de estúdio e mesmo orquestras (bastante emblemático é o lançamento do Deep Purple, Concerto For Group And Orchestra). Um outro grande passo para a sofisticação fora também a rápida difusão dos sintetizadores (a início os Moogs e Minimoogs inventados por Robert Moog), teclados capazes de criar novas tessituras e variedades sonoras antes impraticáveis.

Deep Purple Royal Philarmonic Orchestra 1969 Full Concert




O fim dos BEATLES foi emblemático do fim de mais uma era no rock. Haviam sido talvez a banda que mais ajudara na transição entre o rock básico de letras simples dos primeiros tempos ao rock mais complexo e sério musicalmente e liricamente. Não mais apenas diversão e produto de consumo o rock era definitivamente encarado como expressão artística e social.

O publico de rock se dividia em duas frentes, a dos adolescentes mais interessados nos hits singles de bandas teoricamente "descartáveis" e a dos já amadurecidos rockers dos primeiros tempos, em busca de experimentação, letras elaboradas, álbuns completos.

O rock progressivo começava a se apresentar ao grande público e Greg Lake, após abandonar a banda King Crimson, formava a clássica banda Emerson, Lake and Palmer (acompanhado de Keith Emerson e Carl Palmer), cativando um público cada vez mais sério.

Emerson, Lake and Palmer's first performance



O álbum Deja Vu de Crosby, Stills, Nash and Young, é o mais vendido do ano nos Estados Unidos.



Com a aquisição do baterista Phill Collins a banda Genesis iniciava sua carreira de sucesso.

Genesis - Rock and Roll Hall Of Fame




Embora o rock progressivo continuasse em expansão, bandas de musicalidade mais simples e muito baseadas no apelo fácil da rebeldia voltavam a surgir para suprir a nova geração, principalmente nos Estados Unidos, como Slade, Sweet, Gary Glitter, T Rex, ou conseguiam um sucesso tardio, como David Bowie, Bay City Rollers e Elton John. A imagem (maquiagem, cabelos, roupas exageradas e coloridas) de músicos como Marc Bolan, do T Rex, iniciavam a definição do estilo Glam Rock (que aproveitavam a imagem esdrúxula e em muitos casos andrógina como fator de marketing).

Na Inglaterra, em 1970, sem requintes musicais, o BLACK SABBATH gravava seu primeiro disco (conta a lenda que em apenas dois dias), auto intitulado, expandindo as fronteiras do "peso" no hard rock e criando o que possivelmente poderia ser o primeiro disco definitivamente heavy metal conhecido do grande público. O limite dos escândalos envolvendo sexo, drogas e "satanismo" também é empurrado para diante.

Black Sabbath Live in Paris 1970 (Full Show)




Munido de maquiagem e teatralidade inéditos até então Alice Cooper seria a resposta americana ao inédito peso e atitude do Black Sabbath. Surge para o público em 1971 com o hit Eighteen e o álbum Love It To Death.

Alice Cooper "Eighteen" 1971 (Reelin' In The Years Archives)




A cristalização do uso da imagem, do teatro e da "atitude" como fator de marketing tão ou mais importante do que a própria música seria a banda americana KISS (que lançou seu álbum de estréia, auto-intitulado, em 1974) cujos músicos tocavam maquiados, assumiam personalidades de demônio, animal, homem espacial e deus, voavam, cuspiam fogo, vomitavam sangue e vendiam discos, maquiagem e bonecos como nenhuma banda de simples músicos poderia vender.

KISS - Deuce Live 1974




Em 1975, paralelamente ao rock elaborado das bandas progressivas ou de hard rock (o Queen lançava seu excelente primeiro disco auto-intitulado) e ao rock comercial glam, surgia nos pequenos bares e casas de show dos Estados Unidos um movimento musical underground marcado por descompromisso e cheio da autenticidade e da real rebeldia que faltava a estes primeiros. Em pequenos locais (como o emblemático CBGB em New York) bandas como Blondie e Ramones. O estilo era marcado pelo "do-it-yourself", a possibilidade de qualquer um (mesmo que não sabendo tocar) montar uma banda.

Queen - 'Seven Seas of Rhye' [Top of the Pops 1974] (Two Performings VERY RARE)




Pois bem, agora é a vez de lembrarmos os estilos de rock mais marcantes surgidos ou desenvolvidos nos anos 70.


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004-15 Ópera-Rock


Roqueiros mais literatos acabaram sucumbindo à tentação de contar histórias com mais de três minutos lá por 1967-68. As óperas-rock mais ilustres incluem "Tommy" do The Who (a mais famosa), "Arthur" dos Kinks (talvez a melhor), "S. F. Sorrow" dos Pretty Things (talvez a primeira) e "The Lamb Lies Down On Broadway" do Genesis e "The Wall" do Pink Floyd (dois exemplos um pouco mais recentes).



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004-05 Rock Progressivo


(Art-Rock)


No fim dos anos 60, "rock progressivo" designava qualquer artista de rock que fugisse do pop comercial - até o Black Sabbath e o Steppenwolf eram chamados de progressivos. Mas logo o rótulo acabou se adaptando a todo rock feito com pretensões de "obra de arte" e que tentasse se alar acima de mero divertimento dançante, usando influência da música erudita, do jazz ou de países que não fossem EUA ou Inglaterra. Entre os pioneiros temos os ingleses Zombies (que influenciaram os Doors, Genesis e outros) e o americano Frank Zappa (1940/1993), lá por 1964-66; além de incorporar efeitos de som e luz com o Pink Floyd ("o iluminador tem que ser membro do grupo", disse Roger Waters em 1967), o progressivo tomou a forma "classicosa" com as suítes de Yes, Genesis, Emerson, Lake and Palmer e mil outros "viajantes".

E agora assista aqui mesmo o show da Banda Genesis:


Genesis: Live 1973 - First time in HD with Enhanced Soundtrack  - 61 min.




No próximo post você verá Surf Music...


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quarta-feira, 5 de maio de 2010

As melhores e piores do rock - opinião Revista Cover Guitar


As cinco melhores do rock



1) "BLACK SABBATH" - Black Sabbath (do disco Black Sabbath, de 1970)

2) "DOWN, DOWN" - Status Quo (do disco On the Level, de 1974)

3) "ELEANOR RIGBY" - Beatles (do disco Revolver, de 1966)

4) "KASHMIR" - Led Zeppelin (do disco Physical Graffiti, de 1975)

5) "REBEL REBEL" - David Bowie (do disco Diamond Dogs, de 1974)


As cinco piores do rock


1) "LAS PALABRAS DE AMOR" - Queen (do disco Hot Space, de 1982)

2) "THE FINAL COUNTDOWN" - Europe (do disco The Final Countdown, de 1987)

3) "OB-LA-DI, OB-LA-DA" - Beatles (do disco White Album, de 1968)

4) "HOT DOG" - Led Zeppelin (do disco In Through the Outdoor, de 1979)

5) "FOLLOW YOU, FOLLOW ME" - Genesis (do disco And Then There Were Three, de 1978)


Bandas que quase ninguém conhece, mas são essenciais


1) SOULSAVERS - Sensacional duo formado pelos produtores Ian Glover e Rich Machin, que consegue a proeza de mistura rock, música eletrônica e blues com um equilíbrio que beira o sublime. Os caras têm dois discos, sendo que o segundo, It's Not How Far You Fall, It's How You Land (de 2007) traz os vocais sempre sinistros e maravilhosos de Mark Lanegan (ex-Scremaing Trees). Não deixe de ouvir!

2) HOGJAW - Imagine uma mistura de Lynyrd Skynyrd, Allman Brothers, Black Crowes, Mountain e Bad Company, só que com muito mais peso e suingue. Este quarteto americano (mais precisamente do Arizona) tem apenas um disco - o estonteante Devil in the Details (de 2007) -, mas exibe a maturidade de uma banda veterana. Simplesmente espetacular!

3) ROBIN TROWER - Ele foi guitarrista do Procol Harum (lembra do hit "A Whiter Shade of Pale"?) e é dono de uma carreira muito legal, embora tenha sucumbido à superficialidade durante os anos 80. De uns tempos para cá, anda gravado discos excelentes - como aquele que lançou este ano, ao lado do baixista Jack Bruce (ex-Cream), Seven Moons -, mas o melhor está em seus álbuns dos anos 70, principalmente no antológico Bridge of Sighs. Pode comprar sem susto!

4) DAVID SYLVIAN - O ex-vocalista do Japan (conhecida banda dos anos 80) sempre se pautou pelo experimentalismo em sua carreira - não foi à toa que um de seus muitos colaboradores foi o guitarrista Robert Fripp, o líder incontestável do King Crimson. O mais impressionante é que todos os seus discos (sim, eu escrevi "todos") são excelentes, com sonoridades estranhas e, ao mesmo tempo, extremamente cativantes. Se você ouvir discos como Brilliant Trees (de 1984) ou o mais recente, When Loud Weather Buffeted Naoshima (de 2007), garanto que você vai se sentir uma outra pessoa - bem melhor!

5) TWILIGHT SINGERS - Este é o projeto capitaneado pelo ex-vocalista do Afghan Whigs, Greg Dulli. Cantando e tocando como se fosse a última coisa a fazer na face da Terra, ele consegue trazer em composições todas as sensações de dor e satisfação que um ser humano pode sentir. Se os Beatles fossem um grupo de rock eletrônico, eles provavelmente soariam como o Twilight Singers.

Fonte: Régis Tadeu *

* Régis Tadeu é editor das revistas Cover Guitar, Batera e Percursão, Cover Baixo, editor-chefe da editora HMP e ficou conhecido por quebrar CDs ruins no programa Superpop.